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Minha visita à Academia Piracanjubense de Letras e Artes


Na foto: Herondes Cézar, Francisca, Lídia Arantes Borges e Salomão Sousa

Numa solenidade que ficará gravada eternamente nas minhas memórias especiais, a Academia Piracanjubense de Letras e Artes, por proposta do amigo Herondes Cézar, recebeu-nos no último dia 26 de outubro para um debate sobre a importância da literatura e de outras manifestações culturais para maior integração do jovem no processo social.

Ao evento compareceram muitos professores e acadêmicos. Pela leitura das atas das sessões anteriores, pudemos notar que a Academia Piracanjubense promove debates vivos e oportunos, e cabe elogiar a sede acolhedora. Com instalação da galeria dos patronos e respectivos ocupantes das cadeiras, a sede ainda ganhará maior brilho. Nossos parabéns ao presidente da academia, José Divino Alves, e a todos os demais membros!

No debate, destacamos a necessidade de os municípios desenvolverem projetos de inserção cultural da juventude para afastá-los, sobretudo, do alcoolismo, com indicativos de revitalização de cinemas, criação de cineclubes caseiros, ofertas de aulas de música, incentivo à criação de centros de dança — por aí, por aí —, até a motivação para o surgimento de agremiações juvenis voltadas para a cultura (e lembramos o PALAS, grupo de jovens de Silvânia, com atuação vitoriosa sob a coordenação do professor Edmar Cotrim). Pois o poder público e as famílias só estão oferecendo aos jovens a opção pelo alcoolismo. As famílias não estão levando a cultura para dentro de casa.

No dia seguinte, o amigo Herondes Cézar apresentou a cidade para mim e para a Francisca. Indicou os pontos históricos, com destaque para os prédios que abrigaram os antigos cinemas — já que escreveu um livro sobre a história do cinema em Piracanjuba.

Visitamos a escritora e pintora Lídia Arantes Borges, que já presidiu por duas vezes a Academia Piracanjubense de Letras e Artes. A sua casa aconchegante é parte de um grande jardim, e, parte deste jardim, são as lindas pinturas a oleo feitas por ela! Ficamos deslumbrados — quase não saímos de sua casa! Estou aqui com seus dois livros de poesia — As cores do outono e Raiz goiana. Como o título de seu livro indica — trata-se de poesia de sagração da vida e da terra goiana.

A poesia de Lídia Arantes Borges colabora com o tema que tratamos na academia. No poema “Biscoito goiano”, ao lembrar da casa da avó, ela diz que as crianças “Perdem tão cedo a inocência, /que incoerência, /reina o individualismo”. Mas resta uma esperança, pois ela diz noutro poema: “A trilha é estreita e pedregosa, /mas ainda há luz,/ preciso caminhar”.

Comentários

Anônimo disse…
A poesia de Lidia A. Borges de fato é doce e linda. Suave como uma brisa. Um refresco para a alma. Recomendo.
Anônimo disse…
Lídia Arantes Borges, ou "Lilita", como costuma assinar, é motivo de orgulho para o Povo Goiano... e um exemplo espetacular do que vem a ser o ser humano que convive com a ARTE. O aconhchego da casa dela, por certo, advém das bençãos de Deus...

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