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Continuo a minha leitura da obra de Yasunari Kawabata, Prêmio Nobel de 1968, que suicidou em 1972. Difícil compreender o suicídio de um escritor que expôs com tanta ternura as sutilezas dos gestos humanos. Estamos nos desabituando a ver na arte a vida enquanto vida. E os japoneses são mestres nestas sutilezas, basta ver os filmes Ozu. Os personagens de Ozu, em seus conflitos internos, não precisam dar tiro, esfaquear. Não me lembro de nenhuma morte nos filmes de Ozu. Os seus personagens são criados para viver.
No discurso de recebimento do Prêmio Nobel, o poeta Salvatore Quasimodo disse que o político quer que os homens saibam morrer corajosamente, enquanto poetas querem que os homens vivam corajosamente.
Kyoto, romance de Kawabata, recentemente lançado pela editora Estação Liberdade, é um hino de amor à cidade que dá título ao livro. E um hino de amor à vida, de uma vida vivida corajosamente. Leio cada frase com a emoção à flor da pele. Leio cada livro de Kawabata com o desejo de ele não chegar nunca ao fim, pois temo que, ao concluir a sua leitura, o mundo volte a perder o amor à vida.

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