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Agradeço ao Euler Belém o comentário que faz na edição desta semana do "Jornal Opção", em sua coluna Imprensa sobre o meu livro Momento Crítico:

O não-im­pres­sio­nis­mo de um crí­ti­co ta­len­to­so e nada academicista

O es­cri­tor e crí­ti­co li­te­rá­rio Sa­lo­mão Sou­sa lan­çou em Go­i­â­nia, no sá­ba­do, 10, na Li­vra­ria Lei­tu­ra, o li­vro “Mo­men­to Crí­ti­co”.

Sa­lo­mão diz que se tra­ta de crí­ti­ca im­pres­sio­nis­ta. Não é. Dos crí­ti­cos que não es­tão na uni­ver­si­da­de, Sa­lo­mão é um dos mais es­tu­di­o­sos e de­di­ca­dos, e sa­be, co­mo ra­ros, fa­zer a pon­te en­tre a crí­ti­ca aca­dê­mi­ca e a não-aca­dê­mi­ca. Nou­tras pa­la­vras, alia o ri­gor crí­ti­co, por sua con­ta de sua for­ma­ção ri­go­ro­sa, com a fa­ci­li­da­de pa­ra es­cre­ver sem usar a lin­gua­gem-pe­dre­gu­lho de al­guns pro­fes­so­res uni­ver­si­tá­rios. Há mui­to mais crí­ti­ca im­pres­sio­nis­ta na uni­ver­si­da­de, tra­ves­ti­da de mé­to­do, do que se cos­tu­ma pen­sar. Al­gu­mas ve­zes, há mui­to mais pers­pi­cá­cia ana­lí­ti­ca na crí­ti­ca ti­da co­mo im­pres­sio­nis­ta do que se ima­gi­na e não mui­to ra­ra­men­te a crí­ti­ca im­pres­sio­nis­ta, des­co­bri­do­ra de no­vos ca­mi­nhos, é apro­pria­da e re­fi­na­da pe­los “reis do mé­to­do”.

Re­co­lho tre­cho ex­tra­í­do por Sa­lo­mão de um ro­man­ce do gran­de Knut Ham­sum (tor­nou-se exe­cra­do por não ser de es­quer­da): “Quan­do che­ga a ve­lhi­ce, dei­xa­mos de vi­ver o pre­sen­te e pas­sa­mos a vi­ver de re­cor­da­ções. Che­ga­mos co­mo uma car­ta ao seu des­ti­no; dei­xa­mos de ter ca­mi­nho a per­cor­rer. Res­ta-nos, uni­ca­men­te, sa­ber se a nos­sa pas­sa­gem pe­lo mun­do de­sen­ca­de­ou tur­bi­lhões de pe­nas e ale­gri­as, ou se a nos­sa vi­da nos dei­xou uma úni­ca sen­sa­ção”.

A crí­ti­ca de Sa­lo­mão é vi­va, pre­sen­te, par­ti­ci­pan­te. Não en­ve­lhe­ceu. Por quê? Por­que, lon­ge de co­zi­nhar mé­to­dos, que en­ve­lhe­cem mais do que a li­te­ra­tu­ra, tra­ta, pro­xi­ma­men­te, de li­te­ra­tu­ra. Não se tra­ta de um crí­ti­co que fi­ca len­do ape­nas crí­ti­ca, com o ob­je­ti­vo de ba­li­zar sua lei­tu­ra. Tra­ta-se de crí­ti­co que lê e in­ter­pre­ta li­te­ra­tu­ra. É seu gran­de trun­fo.

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