Pular para o conteúdo principal

Maria Gadú


Tenho passado os ouvidos pelas novas vozes da música brasileira. O grupo Moinho é encantador pelo conjunto de músicos, pelo lado experiente de cada individualidade (Emanuelle Araújo é perfeita dentro do Grupo, mas não sei se funciona dentro de um outro formato).

Mas ouvir Maria Gadú foi uma surpresa. Voz confiante, sem chiados, aveludada, com um pouco de rouquidão. Fui apurar e vi que ela tem sido alavancada pela rede Globo — o que é salutar por um lado e desastroso por outro, pois acaba enfiando o músico por caminhos comerciais. Foi o caso de Ivete Sangalo, que acabou, junto com Ana Carolina, com vozes excessivamente num timbre de arrogância. A gente vai ouvir estas duas e as vozes não estão querendo cantar, mas querendo dizer "eu sou a melhor", e as letras? Letras cheias de ideologia egocêntrica. E, no fim, só servem para passar falsos valores, como venda de publicidade de cerveja em vez de venda de ética e de musicalidade. A voz empostada na arrogância e não na música.

Espero que Maria Gadú não seja contaminada, empurrada para a arrogância do mercado. Que no seu próximo disco já não seja preciso inclusão de músicas como "Baba". Isso é a ilicitude e a idiotice de mercado. É impecável cantando Chico e até versão de "Shimbalaê", na trilha de novela. Gadú pode abandonar o violão, pois a sua voz já a torna inteira — deixe que os outros toquem, arranjem e façam para ela. Gadú pode só en-cantar. Que Maria Gadú tenha vida longa, sadia, para brilho da música brasileira.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Resenha sobre o filme "300"

Por Ana Paula Condessa

Todo filme tem seus méritos, seus pontos fortes, mas também tem furos e contradições. O filme 300, já em exibição, surgiu da história em quadrinhos “Os 300 de esparta” - criada e desenvolvida por Frank Miller. É impressionante a grandeza da produção do filme que chega a representação, com muita propriedade, por retratar a batalha que enfrenta o rei Leônidas -,os soldados espartanos, seus aliados contra o exército persa de Xerxes, na Batalha das Termópilas -, desfiladeiro da Grécia. Esparta - é uma sociedade que é toda voltada para a arte da guerra e todos os indivíduos, que dela fazem parte, são instruídos para tal. No filme é passado muito do que era Esparta e seu contexto, algo de muito valor para compreender a essência da Batalha das Termópilas - . A guerra é o meio de vida dos espartanos e, antes mesmo desta grande batalha que ficou para a história e, cujos métodos e estrutura de guerra foram usados por muitos anos em batalhas posteriores, eles moldaram um im…

ULISSES, de Tennyson

Depois que li esse poema toda minha concepção de poesia foi alterado. Não me satisfez a tradução que aparece no livro de Harold Bloom, Como e por que ler os clássicos, pois, para respeitar a métrica, acabaram cortando parte do enunciado - e isso refletiu na perda da dramaticidade. Fiz a minha adaptação livre a partir do espanhol. Auuuuuuau!!!!! Há uma tradução de Haroldo de Campos que saiu numa edição do Mais!


Fútil o ganho para um rei nada útil,
na calma do lar, à beira de penhas áridas,
unido a uma idosa esposa, a impor e dispor
iníquas leis a uma raça selvagem
que come, e amealha, e dorme, e de mim nem sabe.
A mim não resta senão viajar: beberei
a vida até o fundo. Sempre desfrutei
da fartura, e com fartura sofri, junto àqueles
que me amavam com amor ímpar; e, em terra,
arrastado pela corrente, as chuvosas Híades
agitavam o lúgubre mar: ganhei nome:
para sempre vagando com coração ávido,
vi, possuí, e muito conheci; cidades de homens
e costumes, climas, conselhos, governos,
nunca com desprezo, ma…