agosto 03, 2014

Busco não passar pelos campos
deletar da lembrança os cogumelos
iguais a grandes chapéus
a reter a umidade da noite
e insistem em serem esmagados
ao arrojo de meus pés
Colheita de verde e névoa
Fora para não transitar
na estrada da demência, dos sátiros,
e aí está o asfalto enodoado
de óleo e cuspe para levar
estudantes/caixotes de herança e cravos
Brigo com a insensatez
e ela escava em meus nervos
Podia não existir a invenção
e selfie me mostro onde sou inexato
Era para não ser o verme
e ele come nas minhas narinas
se enxerta nas minhas palavras
Era para não ser a artimanha do cuspe
e ele enodoa os meus lábios
a cama em se que distende o homem
Não pedi o diálogo e a compreensão
e tudo fala e pula e se aclara
entre o que existe de façanha
e de estorvo nos escritórios e nos berços
Para que a vitalidade no talhe
e nos extremos de um mar
e a vida me assume e me assanha
e me acasala no esplendor
da relva e dos corpos

Pedir o fulgor e o fogo
é não saber queimar e existir

Já estou a postos para o dia.
Venha a tua vigília, a tua provocação,
o silêncio interpretativo do repouso
do caracol recolhido em sua casa,
do caminho esquecido em seu musgo....

Move-se o galho em minha sacada
para o canto do pássaro que agora voa.
Destravam-se os ferrolhos
ao que agora em si o canto se descasa.
De desperdício nem o da luz
que o corpo de um homem não antepara.

Corteja em mim a claridade,
a espera pelo que invada
a estrada de visgo em minha porta,
em minha linha do tempo.
Estou pronto para a invasão do que vive.