Não aguento mais ler, folhear
os raios de sol pela janela,
escorar-me nos degraus da área.
Dobradas, as pernas ardem.
Por mais que substitua os calçados,
os pés suam e, gélidos, me torturam.
Nada me soa biográfico
se não me sinto um homem
que seja sombra na areia, vulto
homem movente na água.
Não sei em que ameaço
o projeto, o entupimento
de um cano ou a estação.
Não imagino porque desconfiam
que eu desejo atravessar,
se pretendo abraçar
ou levar a chave.
Tal o incômodo que fecho
com cola venenosa
a entrada do formigueiro.
As formigas a saírem
dos furos do rejunte da janela
constituíam uma distração.
Limpar a pia será bem mais
solitário após o formiguicídio.
Quem foi à praça para o manifesto
com seu punhado de tubos
de pasta de memória venenosa?
A poesia é meu território, e a cada dia planto e colho grãos em seus campos. Com a poesia, eu fundo e confundo a realidade. (Linoliogravura do fundo: Beto Nascimento)
Assinar:
Postar comentários (Atom)
https://www.blogger.com/blog/post/edit/4843398825678420679/452811239808696688
Uma leitura de Robert Walser
Comecei antes do Natal de 2025 a leitura do pequeno livro "Jakob von Gunten", do suiço Robert Walser, escritor admirado por grande...
-
O processo de editoração é dinâmico, também. Os livros de poesia devem se aproximar da visualidade das páginas da internet. Papel que reflit...
-
Assisti ao documentario de Anitta "Larissa"". Para ser um filme para seu público, a Anitta do filme é banal, piegas e ocupa...
-
Para Mariza Buslik Sou aficionado pela origem das palavras e pelos diversos significados que elas vão ganhando durante os desdobramentos dos...





Nenhum comentário:
Postar um comentário
Salomão Sousa sente-se honrado com a visita e o comentário