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Mostrando postagens de Maio, 2009

Canário na Janela

Muitas abas paralelas
e eu uma delas
Talvez eu fosse o canário
a janela
e tanto não me abro
e tanto não me amarelo

Perdi o Tributo ao Poeta, da Biblioteca Nacional de Brasília, em homenagem à bela poesia de minha amiga Lina Tamega. Imerso no mundo do excesso da comunicação e não tomei conhecimento do evento. Nem email, nem telefonema, nem fofoca de janela, nem sinal digital, nem duas frases nas vastas colunas literárias dos jornais de Brasília. E a poesia da Lina tem mais para dizer do que duas linhas.

Ai! quantos anos terei de viver para terminar a leitura de las Memorias de Ultratumba, do Chateaubriand francês?

Mas não era nada disso que eu queria dizer para vocês. Ou para mim. Ou para ninguém. Num blog a gente nunca sabe a quem diz, a quem fala. Ou a quem cala.

Só queria lembrar o lado humano, dentro de minha descrença diante de uma juventude que perdeu toda possibilidade de lidar com o humanismo.

Assisti o filme Faces, de Cassavetes, de 1968. Há muito um filme não me entristecia tanto. Há q…

Clara Ghimel

O acaso do acaso, caiu-me um disco nas mãos assim a Oriente do oriente. De Clara Ghimel — acredito que baiana. Ela reuniu poemas de portugueses, em arranjos bem percussivos, apesar de muitas guitarras acústicas leves. A voz clara que permite realce aos versos.

Apenas um comentário: ao primeiro verso do poemas "Pirata", de Sophia de Mello Brayner Andrade:

Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos
E o meu desprezo reina sobre o mar.

Não é algo imensamente assustador?
Não sei se é a sabedoria do poeta ou se já é o toque do egocentrismo sobre o homem que antecede o poeta. Assusto-me quando essas sobreposições acontecem. Antes, a força da natureza intimidava e a força do homem existia para dominá-la. Agora, sem força e sem domínio, mas apenas incendido de desprezo, o homem já se julga de posse de tudo — com desprezo.

Clara, parabens!