6 de setembro de 2013





Busco a palavra entre arquibancadas armadas para o desfile
A Pátria espera minha palavra e minha dança
Mãos atarraxam as últimas esquadrias na Esplanada
Esquadrias tantas vezes remontadas em outras festas
A minha palavra pede chaves e maçaricos
e mãos que a organize
estendam sobre seu dorso a ordem
o tapete enxuto para as próximas nádegas
A palavra para se encaixar num hino
Numa boca que a cante dentro de minha história
Busco a palavra ouvida no primeiro desfile
numa rua de saibro da infância
O garoto carrancudo chuta meus calcanhares descalços
aos insultos
Daí talvez este meu amor à Pátria com fúria
Enquanto viajo no eterno engarrafamento de volta para casa
buscando uma palavra para o improviso de amor à  Pátria
sem a mentira da metáfora
posso acrescentar mais uns versos:
Para apaziguar a minha fúria
o espectro de Clarice dorme à minha direita

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