Aguardo o biógrafo desautorizado
que irá corrigir minha pobreza corrosiva
As cáries e falhas dentárias
Eu em sangue entre engradados
num cômodo escuro e sem água
na empoeirada Vila Matias
com o prático dependurado em minha boca
Teria outras para o biógrafo corrigir
se julgar pouco as minhas torções de dor
só com a droga da poesia
num quarto de frestas e tábuas
As minhas metamorfoses explosivas
A primeira noite de sexo
diante de uma lagarta na parede
Impedir a vizinhança toda acorrendo
para socorrer a amada aos gritos
Arrancar de dentro dos móveis
a correspondência interdita
O biógrafo para corrigir
os bullyngs eu jogado na poeira
gingles ditados à minha nuca
Calu Calu
quantas pregas tem teu vestido azul
O biógrafo não terá de pagar
a percentagem por minha miséria
Se a vida não me inventou outra história
Se não me inventei melhor
melhor invenção pode ocorrer
na máquina de invenção de outro
A poesia é meu território, e a cada dia planto e colho grãos em seus campos. Com a poesia, eu fundo e confundo a realidade. (Linoliogravura do fundo: Beto Nascimento)
20 de outubro de 2013
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