Faleceu em 6 de agosto de 2020 o poeta Victor Sousa. Mantivemos ótimas trocas de informações através dos recursos do e-mail. Um dos melhores poetas mundiais da geração de 80/90. Sem ele, a poesia cai um pouco na lona. Poeta que nasceu no Uruguai e se radicou no México em 1983. Meu contato com sua obra renovou minha maneira de compreender e de praticar a poesia. Se não consegui me aproximar com autenticidade do neobarroco, deve-se à falta da experiência do sincretismo no meu percurso de vida. No entanto, alguma vivacidade inventiva das vanguardas contaminou a minha produção (e de muitos outros poetas brasileiros), mas nenhum com a intensidade de um Victor Sosa ou Nestor Perlongher. A poesia de Victor Sosa não é simplesmente lírica, como qualifica o noticiário no momento de sua morte. Ela ultrapassa a lírica e ultrapassa a vanguarda latino-americana. Victor Sosa se vale da poesia oriental e da riqueza idiomática e mítica da cultura mexicana para entranhar em seus versos a experiência de existir com outra linguagem. A sua poesia não teria chegado a esse patamar se não fosse o contato com a pluralidade de línguas ameríndias do México, onde o espanhol se cunhou de forma renovada para formação do caráter da nação mexicana. Os poetas da chamada poesia de invenção, no Brasil, mantiveram íntima ligação com ele, resultando na publicação de toda a sua poesia no país. Foi o tradutor para o espanhol de diversos poetas brasileiros, dentre os quais João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade e Paulo Leminski. No momento de sua morte, estava trabalhando numa antologia de Haroldo de Campos para a editora Callygrama.
A poesia é meu território, e a cada dia planto e colho grãos em seus campos. Com a poesia, eu fundo e confundo a realidade. (Linoliogravura do fundo: Beto Nascimento)
1 de março de 2023
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