30 de dezembro de 2025

Leitura para melhoria da prática e da participação política

Em continuidade aos meus estudos sobre o fascismo/totalitarismo contemporâneo, li o livro O homem mais perigoso do País, do brasilianista R. S. Rose. Trata-se de uma biografia política de Felinto Müller, que foi chefe de polícia de Getúlio Vargas e depois senador da ditadura de 1964. Saiu de Mato Grosso já obstinado em entrar para a escola militar. Faleceu em 1973 num acidente de avião, ao chegar em Paris. Estava tratando, na época de sua morte, da substituição do ditador Médici pelo também ditador Geisel. Podemos dizer que todo mundo se cerca de pessoas nefastas: Juscelino Kubitschek chegou a visitá-lo em 1959 no hospital, pois eram colegas de partido.
    É assustadora a leitura, pois aí se encontra toda a gênese do ímpeto totalitário brasileiro - esse desejo de controlar tudo, de abolir pessoas, de apossar dos bens públicos. Assustadora essa mentalidade, e depois ainda nos denominamos cidadãos afáveis e cordiais. Não enxergamos que estamos sempre dispostos a abolir e a desrespeitar o outro. Não respeitamos sequer a vizinhança da porta ao lado, quanto mais o adversário político - logo enfiamos uma bucha de mostarda no sexo do adversároi se não concordamos em ele. Julgamos que só nossa facção deve existir, tenha ou não razão.
    O livro aborda temas pouco ou nunca aprofundados e que até falta material para tratamento mais elaborado pelos historiadores. Mas pude ver que existem teses universitárias que se preocupam com algumas questões levantadas no livro. É o caso do artigo O Tribunal de Segurança Nacional e a sua atuação no Brasil dos anos 1930 e 1940, de Júlia Kertesz Renault Pinto, que está disponível na internet.
    Por exemplo: ninguém fala abertamente do Tribunal de Segurança Nacional, que era o STM de Vargas, incumbido de julgar e sumir com adversários políticos - fosse ele policial, militar ou civil, pobre ou rico. O pobre estava e está perdido: pegavam pessoas de rua para as aulas de tortura. Estão no Arquivo Nacional todos os documentos desse TSN, que devem ser monstruosos, pois foi monstruosa a sua atuação. Podiam encaminhar presos políticos para trabalho escravo em fazendas de familiares de políticos. Assim fica perpetuada a fórmula: contratação de fantasmas pelos gabinetes de políticos. É urgente desamarrar essas práticas da politica nacional. Qualquer cabinho eleitoral acha que se tornou um coronel de sua rua, ficando acima da lei. Governadores se proclamando eliminadores do crime através da eliminação física sem a participação da Justiça. É a mesma tradição da polícia de Vargas.
    Por exemplo - o Departamento Especial de Segurança Política e Social (DESPS), que fazia e acontecia com seu aparato de tortura, daí onde nasceu o SNI. Trouxe militares franceses e alemães para ensinar práticas monstruosas à polícia brasileira. Adotaram uma cadeira americana para práticas de tortura. Sentavam o prisioneiro nessa cadeira americana e, quando a acionavam, o preso era atirado na parede com todo ímpeto. Para não mancharem a roupa de sangue, os policiais participavam sem farda das sessões de tortura.
    Por exemplo: o Quadro Móvel (um departamento policial, que não era visível na estrutura de governo, incumbido de desaparecer com presos políticos). Esse Quadro Móvel, que era uma Gestapo de Vargas, motivaria o surgimento dos esquadrões da morte que infestam o país de Norte a Sul. O Quadro Móvel executava as ordens dos governantes e nenhuma autoridade precisava responder pelas atrocidades, pois poderia alegar que não tinha conhecimento daquilo que mandou executar. Os governos sempre procuraram restabelecer essas gestapos: Bolsonaro queria criar um grupo de militares para defendê-lo na Esplanada, o governador do Distrito Federal queria criar um batalhão para cuidar da Esplanada. Desses pequenos núcleos nascem as piores gestapos. A definição para Gestapo também serve para definir o Grupo Móvel (A Gestapo foi a polícia secreta da Alemanha nazista, sendo responsável por realizar a perseguição e o silenciamento de todos os grupos que pudessem representar algum tipo de ameaça para o controle dos nazistas). 
    O livro demonstra como atuam as figuras hipócritas para que existam os regimes de exceção. Nesse caso, a hipocrisia passou a grassar no Brasil após os ensinamentos de Getúlio Vargas. Ficou fácil para o golpismo, pois Vargas mostrou como montar o aparato fascista pelas portas dos fundos. Controle total da imprensa... Se existissem as redes sociais, o regime totalitário de Vargas teria inventado a fake news.
    E a hipocrisia permanece e reina na nossa elite, nos nossos quartéis, nas escolas militares. Precisamos conhecer melhor o nosso país para nos libertarmos da hipocrisia totalitária. Da hipocrisia de querermos dançar só com generais.
    Quem leu a recente orientação ideológica de formação fascista pelas escolas militares? Quem propôs homenagens a ditadores em diversas universidades e assembleias brasileiras? Quem montou a homenagem a Otávio Lage no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás - IHGG - esse governador de garantia da ditadura no Estado de Goiás? Enquanto intelectuais participarem de potfólios de figuras totalitárias não vamos amadurecer a nossa democracia. Enquanto não abolirmos as homenagens a Felinto Müller dos nomes de monumentos e de ruas, estaremos compctuando com as atrocidades que se comete em nome da política.
    Indico o livro O homem mais perigoso do país, pois precisamos ter consciência de que precisamos melhorar a nossa compreensão de prática e de participação política.



22 de dezembro de 2025

A poesia de Simone Bacelar

Ando sempre à procura de poetas que reforcem a galeria do túnel do tempo de nossa literatura. De repente, vejo alguns amigos saudando com  euforia o livro "O idioma das sombras", de Simone Bacelar. Inicialmente, fiquei desconfiado. Poderia ser a saudação à autora, que tem atuação audaciosa e livre nas redes sociais. Mas eu não poderia deixar de conhecer o livro. Os meus amigos tinham razão: a poesia de Simone Bacelar é uma consistente, carrega identidade com os grandes poetas e com a legitimidade da lírica. Não se atrela ao comum realismo atual, de descrição do cotiano amoroso dos poetas; sem lamúria, e com legitimidade. Até traz um excesso de formalismo para uma autora nova. Talvez ela precise cristalizar ainda mais as metáforas, mas já deu tom maduro e definitivo logo de cara. Basta tirar as frases óbvias como "O amor não precisa ser bonito " ou inúteis convicções que só limitam a expressividade como "Hoje,". Não datar os versos, não localizar a narrativa. Deixar a expressão pura, um verso entrando no outro.
Vejamos uma quadra linda, mas melhor ainda se viesse sem o verbo de ligação "é", uma vírgula no lugar:

Mudar de cidade
é dobrar a esquina do tempo,
sem mapa, sem GPS,
só a bússola do peito.

A poesia enriquece com cortes e suspensões de palavras, e termos próprios de quem escreve como "GPS", que vem da geracão atual.
Parabéns à Simone Bacelar por chegar com um poemário rico, que engrandece a poesia atual.



18 de dezembro de 2025

ATIVIDADES DE SALOMÃO SOUSA EM 2025

17.12 – compareci ao Bar Pardim para o lançamento do livro Quase em quase tudo, do amigo José Sóter, que também estava comemorando os 72 anos de idade. Longas conversas com a poeta Irmana Almeida.

16.12 – Compareci no bar Beirute para o lançamento do livro As marcas do tempo, do prof. Erivelto Carvalho. O livro traz análises sobre a poesia Marginal de Brasília, com abordagem da produção de Nicolas Behr, Sóter, Paulo Tovar e  Noélia Ribeiro.

8.12 – Compareci ao bar Beirute para o relançamento do livro Águas de Mina, da amiga Tita Lima, agora reeditado com desenhos de Evandro Salles.

5.12 – Compareci à CAIXA Cultura com meu irmão José Aparecido, sua esposa Maria das Dores e meu sobrinho Gabriel para uma exposição de arte. Sempre desejei presenciar a peça "O impossivel", de Maria Martins, a única artista surrealista brasileira. Fui surpreendido ao me deparar com a obra. Só que ainda não é a obra definitiva. Trata-se de uma pré-noldagem, que se encontra numa coleção particular. Pesquisando sobre a obra, descobri que existem pelo menos três exemplares dela. Mas podem existir outros exemplares, pois nenhum especialista esclarece se o que está no Itamarati é uma pré-moldagem ou original. Portanto, essa obra fundamental da cultura mundial merece um mapeamento mais definitivo. São realmente três exemplares originais e quantos existem que são pré-moldagem? Adoro essa obra ainda mais por esse mistério. E adoro pelo impacto. Os tentáculos violentos da complementariedade das relações humanas. Fica a sugestão de tema de uma tese universitária que pesquise essas questões e possamos ter certeza sobre essa obra maravilhosa.

5.12 - Compareci à livraria Travessa, no Brasília Shopping, para o lançamento do primeiro romance de Gina Marini, filha do meu grande amigo Roberto Nogueira.
28.11 – Realizada eleição para a nova diretoria da Academia de Letras, Artes e História de Silvânia (ALAHS). Fui eleito como vice-presidente na chapa liderada pelo amigo Rubens Vieira.

20.11 - As visitas enriqueceram meu dia. Diego Mendes Sousa , Altair e Antonio Miranda. Em conjunto, promovemos um sarau de poesia com crianças amigas daqui de minha rua. Muito muito animado. As crianças depois aclamaram na rua: Queremos o Salomão. Não tem nada mais gratificante do que a amizade e a cortesia com as crianças.

14.11 – Compareci a Silvânia para participar da Sessão Solene da Câmara Municipal de Silvânia, ocasião em que V.S.ª receberá o Título de Cidadania Silvaniense. Nasci na fazenda Calvo, que do lado que fica no município, mas fui registrado em Vianópolis. Como toda minha relação de cidadania foi com Silvânia, o título confirma essa relação. Fiquei muito feliz com a distinção. Na oportunidade, em razão da mesma situação, foi concedido o título ao meu irmão Miguel Pedro Neto. Agradecemos aos familiares que compareceram e ao vereador Almiro da faixa, que apresentou a proposição de concessão do título a mim e ao meu irmão. Repeti, na oportunidade, minha fala sobre pertencimento. Tenho insistido no tema, pois as pessoas estão e comparecem, mas se ausentam, pois só a presença física não é pertencimento.

12.11 – Participei da reunião de diretoria da Academia de Letras do Brasil, oportunidade em que abrimos uma vaga de um confrade que está há mais de 10 anos sem contato com a academia. Convocamos nova reunião para eleição de escritor para a referida vaga e de quatro correspondentes estrangeiros, entre outras homologações.

7.11 – Acompanhado da Francisca Andrade, minha esposa, comparecemos ao Chá Literário da creche CEPI Paineira, que fica na Samambaia, cidade satélite de Brasília, onde estuda minha bisneta Liz Cristina. Muita historinha e palmas. Palmas para a bisneta. E agradeço a oportunidade de ler um poema de minha autoria para os familiares e de falar sobre a necessidade de pertencimento para sermos acolhidos. Se nada fazemos não somos acolhidos.

8.11 – Saiu na revista da Academia de Letras do Brasil, nº 14, o meu artigo A negação de compromisso com o amor.

7.11 – Compareci ao Beirute para o lançamento dos livros O escrevente do chão e O almanaque da Parnaíba, que se juntam a outras 15 obras já escritas e publicadas pelo amigo Diego Mendes Sousa . Confraternização maravilhosa com a sua esposa Altair, Francisca Andrade, Roberto Nogueira e tantos outros amigos. A poesia de Diego Mendes Sousa é espontânea, oportuna, e o poeta traz forte presença e age de forma aglutinadora de amizades e de fronteiras harmonizadores da poesia. Seu novo livro vem enriquecer o humanismo, pois essa é a missão da poesia.

6.11 – Compareci à Associação Nacional de Escritores para assistir a palestra Literatura, Direito e Justiça em Eça de Queiroz, proferida pelo sócio Arnaldo Godoy.

23.10 – Recebi a visita da poeta Maria Coeli, acompanhada de sua filha Maria Paula Taunay. Maria Coeli é minha amiga desde os anos 1980, quando fizemos a antologia Em Canto Cerrado, e ela participou com seus poemas.

22.10 – Compareci ao bar Beirute para o lançamento do livro Nada mais, do amigo José Carlos Peliano. Na oportunidade, reencontro com os amigos Nilce Santos, Anderson Braga Horta, Antonio Carlos Queiroz e Nicolas Behr. Deu na mídia:

Inspirado na lírica de Neruda, Peliano transita por diferentes manifestações do ardor: o amor exacerbado, o entusiasmo da paixão, o desejo como força criadora. No entanto, evita o sentimentalismo fácil, optando por uma linguagem que combina força emocional e precisão poética. Em versos como “as paixões e os versos de Neruda, vinham dos voos claros das manhãs, (onde ave por ave o dia desnuda, cores e sons de mil Aldebarãs)”, do poema Confesso que entendi, percebe-se a musicalidade e a inventividade do autor ao dialogar com seu mestre, sem jamais imitá-lo.”

16.10 – Compareci à Associação Nacional de Escritores para assistir a palestra do escritor João Bosco Bezerra Bomfim sobre Arte Verbal do Cordel: pelejas na marginalidade à patrimônio do Brasil. O tema faz parte de minha, pois as minhas primeiras leituras foram folhetos de cordel, ainda na zona rural. Depois tive um Grande amigo especialista no assunto: Altimar Pimentel, que já faleceu, e escreveu resenha carinhosa sobre um dos meus livros de poesia.
O palestrante fez leitura do folheto A chegada de Lampião no Inferno, de José Pacheco, com subsequente análise da peça, que termina assim:

Leitores vou terminar
o tratado de Lampião
muito embora que não possa
vos dá maiores explicação
no inferno não ficou
no céu também não chegou
por certo está no sertão
Quem duvidar desta história
pensar que não foi assim
querer zombar do meu eu
não acreditando em mim
vá comprar papel moderno
e escreva paro o inferno
mande saber de Caim.

14.10 – Compareci ao Teatro do SESC, da 504 Sul, em Brasília, para uma tarde recheada de poesia, cantigas e histórias que aqueceram a alma para “celebração da arte da escrita e ouvir belas histórias.” Participei com poesias de minha autoria e “Ismália,” de Alphonsus o de Guimaraens.

10.10 – Não pude comparecer à reunião da Academia de Letras, Artes e História de Silvânia (ALAHS) para lançamento do novo número da revista da Academia, na qual publiquei um artigo denominado O muramento do amor. Agradeço à minha irmã Rosa Abreu por me representar no evento e por apresentar a minha mensagem. Na mensagem, eu ressalto que “temos de saber reconhecer e combater os discursos estúpidos e as ações lesivas à cidadania. Os discursos estúpidos, que batem à nossa porta e aparecem sempre que ligamos o celular, não se importam de levar as pessoas à fome, à morte, ao desemprego, ao abandono social. Acreditemos na nossa ação, no nosso conhecimento, nos nossos desejos. “ A notícia do evento saiu no jornal A Voz, de Silvânia.

10.10 – O poeta Rogério Salgado, amigo de Belo Horizonte, teve a gentileza de publicar no Jornal Nova Suissa e Adjacências, de Belo Horizonte, artigo sobre meus dois últimos livros (Certezas para as madressilvas e Bifurcações). Rogério é uma das vozes mais ativas da cena literária da minha geração. Marcou a história da poesia com o projeto o Saco, que distribuía poesia em sacos de pão. Tenho orgulho enorme de ser amigo e de ele sempre ter me incluído em seus projetos. Agradeço e desejo forças para que ele continue escrevendo poesia e ativando a cena cultural de BH, quiçá do Brasil.

7.10 - Participamos da reunião da Academia de Letras, Artes e História Alahs Silvânia de preparativo do lançamento do novo número de sua revista. Sempre digo: O que me anima é estar junto com pessoas com as mesmas afinidades e ideais. Essas reuniões, só em nos vermos e expressarmos vontade de fazer a cultura, é um alento enorme.  Participantes da reunião: Valdir Antônio Rosa, Edmar Cotrim, Cida Sanches, Carmem Auxiliadora, Alessandra Nascimento, Luzo Gonçalves dos Santos e Gessilma de Sousa e Silva.

28.9 – A poeta e amiga Angélica Tores me encaminhou por mensagem suas impressões sobre meu livro Certezas para as madressilvas:

Salô,
o título adianta: prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar. Por suas certezas as madressilvas devem estar gratas.
As distâncias entre as imagens, o avesso do que se deveria esperar trazem esse estado de coisas que se podem chamar de inesperadas, por isso, em somas de interrogações e de aproximações naturais, ou espontâneas.
O verso do verso do verso. O tom solene, quase grave, abrandado pelos ventos, personagem muito presente, que areja as covas onde todos nos encontrávamos naqueles idos finados, para alívio nosso. Por enquanto, ao menos.
Salpiquei vários de estrelas e exclamações, pra marcar o momento dos que me tocaram fundo. E versos lapidares também, rodeados de grifos, sem cerimônia.
A vida tem dessas coisas... qdo tudo parece nos forçar à mudez, ou aos muitos impropérios, brotam mundos nunca dantes imaginados.
Sorte nossa? Com certeza de madressilvas, sim.
Bem, é só pra dizer que demorei, mas li e gostei.
Bjos da amiga

27.9 - Fui rever pela quarta vez o filme Paris, Texas, do cineasta alemão Wim Wenders. O filme retorna aos cinemas remasterizado após 40 anos que foi premiado em Cannes. É nostálgico, poético, contemplativo. A música minimalista de Ry Cooder acentua o vazio, arrebenta cordas tensas que por acaso se estirem dentro do espectador. É um dos filmes de minha predileção, pela poeticidade, pela melancolia, pela certeza da compreensão de que a vida não é completude. Muito pelo contrário, a vida é muito mais busca e desencontro. Pode não ser o melhor filme de Wim Wenders. Outros preferirão "Asas do desejo", "Alice nas cidades" ou algum outro. Prefiro todos. Como dizia meu amigo Herondes Cezar: Wim Wenders e aprendendo. Quem não tiver visto, é oportunidade. É um desafio. É experiência de atravessar o deserto.

18.9 – Falecimento do grande amigo Viriato Gaspar, que compareceu no meu último lançamento e foi sorteado com a gravura original do Beto Nascimento para a capa do meu livro Certezas para as madressilvas. Ele publicou três livros neste ano, antes de falecer. E, entre os amigos que dedica o Fragmentos de mim, vem o meu nome.

FALARMES 

Algumas vezes flor; outras, só chão
Instantes só luar, noutros, malogro.
Algumas horas, mel; outras, vulcão.
Águas mansas assim, mas logo fogo.

Certos dias é o lar, noutros, navio,
um barco bem pra lá da imensidão.
Com cobertor de lã, mas logo o frio,
oceano exilado no sertão.

Um dia apenas névoa, chuva fina,
lucidez, mansidão, só brisa e beira.
Outros dias pregões, ferrões, buzinas,

balbúrdia de botecos e de feiras.
O vão entre o estancar e o solavanco.
Um náufrago à mercê da folha em branco.

16.9 - Tirei um tempinho para o encontro, na livraria Sebinho, da Academia de Letras de Brasília com o eacritor russo Vadim Terekhin, novo sócio da ALB. Com Marcos Freitas, Kori Bolivia e Flávio Kothe . Estava gripado e fui uma péssima companhia, mas não poedia deixar de estar com os amigos e com o escritot russo.

8.9 - Fui ao cinema assistir o filme O retorno, baseado na Odisseia de Homero. Adaptação livre da chegada de Ulisses a Ítaca. Uma crítica da estupidez da guerra, como bem diz Bárbara Tuchman. A guerra desordena até a casa de quem sai vitorioso. Filme lento, com muitos atores que não se encaixam na narrativa, pouca poeticidade para ser baseado em Homero. Só a Juliete Binoche aparece bem. O filme antecipa o que Nolan ewstá gravando sobre Homeor e que será lançado no próximo ano (2026, mas o Trump pode querer mudar o calendário).

5.9 - Participamos da reunião da Academia de Letras Artes e História de Silvânia - Alahs Silvânia. Estar com amigos, pares dos mesmos ideais, aumenta a nossa fé no mundo, põe esperança e fogo no coração. Grande abraço ao presidente Valdir Antonio Rosa , ao Edmar Cotrim, á Cida Sanches , à Carmem Auxiliadora , ao Antônio Pires, e Márcia Lenza. As histórias pessoais se cruzam e formam aquilo que somos, desejamos e, por isso, seguimos em frente, às vezes desconfortáveis com os espinhos, mas abrindo caminhos. Ninguém chega a lugar algum vivendo trancafiado no ódio, com indiferença por onde o seu semelhante andará. Construímos a paz nos vendo de frente. E nos olhamos.

16.8 – Recebi a visita do amigo Antonio Miranda. Trata-se do amigo que mais me visita ultimamente. Sempre após o almoço, quando estou numa lombeira danada. Nessa visita, tive até o direito de cochilo diante dele, pois estivemos juntos durante três horas. O Antonio Miranda não deixa os amigos na mão, defende-os com volumosa divulgação. É uma amizade produtiva.

10.8 – O poeta Sérgio de Castro Pinto me encaminha o livro “Livros são pães eucarísticos crocantes”, que registra em artigos límpidos e lúcidos o lançamento de autores nacionais. Abre o livro com o artigo “Certezas para as madressilvas”, de Salomão Sousa. Ele ressalta logo de início:

“Quantas coisas Salomão Sousa diz nos seus poemas que, para os leitores neófitos, não dizem absolutamente nada! No entanto, quanta coisa com coisa o eu lírico diz! Porque penetra surdamente no reino das palavras e, contrariando a receita drummondiana, faz versos sobre acontecimentos. Mas acontecimentos que fogem dos lugares-comuns, da relação causa e efeito, da lógica cartesiana, para erigirem admiráveis mundos novos.
‘A poesia de Salomão é uma poesia à parte, marginal, no sentido de nadar contra a maré da mesmice que, infelizmente, ainda grassa e predomina na lírica brasileira contemporânea. A de Salomão pede, reivindica e até mesmo exige um leitor novo, afeito a descortinar um que se cumpra através das palavras que não se veem obrigadas a rimar a palavra sono com sua incorrespondente palavra outono, para me valer uma vcez mais do poeta de Itabira.”

7.8 – Compareci à quinta literária da Associação Nacional de Escritores, oportunidade em que a escritora Sônia Helena apresentou palestra sobre a poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen e Miguel Sousa Tavares.

06.8 – Participei da reunião de diretoria da Academia de Letras do Brasil, oportunidade em que debatemos os destinos da revista da entidade e a inclusão de novos sócios.

29.7 – Compareci ao lançamento do livro Poesia viu, de Reginaldo Gontijo, no Beirute Sul. Livro de imensa versatilidade, com interação com IA e vanguardas. Imensos efeitos quando compulsado no meio digital. Reginaldo Gontijo compreende essas ferramentas, pois lida com audiovisual, com longa carreira de cineasta.

29.7 – No lançamento do Reginaldo Gontijo, adquiri o livro Requentes de sensibilidade, de Pietro Costa. Na época do lançamento, eu estava impedido de comparecer ao evento, que ocorreu no Cruzeiro. Pietro prossegue na sua experiência formalista, com composição de um livro todo em sonetos.

12.6 – Compareci à Associação Nacional de Escritores para a Quinta Literária destinada à palestra de José Roberto de Castro Neves sobre “Shakespeare ontem, hoje e amanhã”. O palestrante, que é o novo membro da Academia de Letras, destacou o tema da política nas peças do bardo inglês. Em que pese o excesso de enumeração das peças, a palestra manteve uma dinâmica incentivadora e uma centralização oportuna no tema com a situação presente da política brasileira.

6.6 – Recebi o livro “Janela aberta”, do amigo Cinen de Sousa, que traz apresentação de minha autoria. Enviei mensagem para o autor: “Recebi o livro e fiquei emocionado não só por estar incluído no projeto. Nunca me emocionei tanto com um resultado. Acho que o atraso aumentou mais a surpresa. Os poemas, a energia que emana deles - que maravilha. “

5 e 7.6 – Visita ao pavilhão da Edição Especial da Feira do Livro de Brasília. Devo, a bem da verdade, voltar a insistir que Brasília precisa recuperar a credibilidade do evento. Não conseguiram realizá-lo no ano anterior e, em razão da fragilidade, dúvidas, adiamentos, afastaram a adesão dos expositores. Nessa edição de 2025, podemos dizer que os livreiros não aderiram. Apenas a editora da UnB e a livraria Arco Iris estão presentes, os demais (raros) são expositores menores. É uma feira naufragada. O Governo local é responsável por isso, pois não coloca o evento no calendário e aí fica dificultando a liberação orçamentária. É um evento que precisa ter rubrica orçamentária. A Capital Federal precisa demonstrar que participa da formação de leitores (quem lê é cidadão que dá o espírito de um país).

31.05 - Em 31 de maio de 2025, participamos do 11º Mexidão Cultural do Condomínio Verde. Pelo quinto ano consecutivo será um evento Carbono Zero, ou seja, as emissões de carbono devido ao evento, serão neutralizadas com a plantação de novas árvores do cerrado. A antologia dos poetas convidados está disponível na Amazon em formato digital. O Mexidão Cultural é uma ação coletiva de um grupo de moradores, compreendendo atividades culturais, ambientais e gastronômicas, apoiado pelo Fundo de Cultura do Condomínio Verde. Mais uma vez haverá apresentação de teatro e dança, gastronomia, muita música com 15 grupos do próprio condomínio e um Sarau Poético, com a participação de 32 poetas, de praticamente todo o Distrito Federal. Compõem essa Antologia Poética, em ordem alfabética, os poetas a seguir. Adão Paulo Oliveira, Adeilton Lima, Ana Rossi, Angélica Torres Lima, Antonio Miranda, Diego Mendes Sousa, Edelson Nagues, Edmilson Figueiredo, Flora Benittez, Francisco K, Ismar Lemes, Jorge Amâncio, José Edson dos Santos, José Roberto da Silva, Luiz Felipe Vitelli, Marcos Fabrício, Marcos Freitas, Marcelo Porlan, Maria D´avilla Oliveira, Mardson Soares, Menezes y Morais, Nicolas Behr, Noélia Ribeiro, Paulo Miranda (Varadero), Reginaldo Bruzzi, Rodrigo Mandarin,  Salomão Sousa,  Sidha Abraxxas, Sóter, Tita Lima e Silva, Vanderlei Costa e Yonaré FlávioEsses, portanto, os trinta e dois poetas desta sexta edição.

17.5 – Participamos do lançamento do livro Praga de brasiliense: conto-poemas de Marcos Fabrício Lopes da Silva, no Café Amado Jorge, Cruzeiro Velho-DF. O livro relembra os anos noventa ao trazer o formato mimeografado, com temática atual.

30.4 - No dia 30 de abril de 2025, participei como representante da Academia de Letras do Brasil da Roda de Conversa no Sebinho de Brasília-DF, quando o escritor angolano João Melo lançou em dois livros chamados: "O Perigo Amarelo e Outros Contos" e "Os Sonhos Nunca são Velhos". Marcos Fabrício Lopes da Silva foi o mediador da mesa, onde Waleska Barbosa e Salomão Sousa foram os debatedores do encontro. Ótimos diálogos e noite agradável.

16.4 – Compareci no restaurante Amo à Natureza para lançamento do livro “Sinfonia Italiana”, do amigo Márcio Catunda, da Academia de Letras do Brasil.

15.4 – Compareci à Associação Nacional de Escritores para a palestra do Nilson Jaime, que fez palestra sobre “Bernardo Élis: um regionalista universalista.

10.4 – Compareci à Associação Nacional de Escritores para celebração dos 100 anos de vida do amigo |José Peixoto Jr; O evento incluiu o lançamento do livro “Correspondências do fim do mundo”, do escritor Gilmar Duarte Rocha, associado e integrante da diretoria da ANE.

31.3 – Compareci ao Beirute para o lançamento do livro de poemas “Poemas de tErros”, da amiga Angélica Torres Lima.

15.3 – Recebi a visita do escritor Carlos Vieira e do amigo Antônio, vizinho apaixonado por Dostoievski. Carlos Vieira é romancista e produz também peças teatrais.

14.3 – Participamos da live promovida pela Academia de Letras do Brasil destinada a debater o tema "Alteridade e consciência que ama", com os seguintes expositores: a poeta Kamilly Barros e Salomão Sousa. Trata-se de uma tentativa de interpretar os destinos da sociedade atual, que está se negando a compreender o outro. A live pode ser vista no YouTub pelo link: Alteridade e consciência que ama.

13.3 – Compareci na Associação Nacional de Escritores para a palestra do amigo Ronaldo Costa Fernandes na ANE Associação Nacional de Escritores. Abordagem inovadora sobre o erotismo na obra de Machado de Assis. o Ronaldo é craque.

12.3 – Participei do encontro poético realizado em 12.3.2025 Antônio Moura, evento que traz apresentação da trajetória dos poetas e leitura de poemas pelos próprios autores. O canal Encontro Poético, que visa disseminar a literatura, foi idealizado pela poeta Chris Resplande, que, de forma dedicada, torna realidade projetos como o Encontro Poético, em parceria com o Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás. A live está disponível no link: Encontro Poético.

28.1 – Sonhei que me encontrava com o poeta Chico Porto, que me ligou no fim de 2024. Encontrávamo-nos num ambiente não muito poético, com muitas pessoas desconhecidas, geralmente jovens, com um barulho ensurdecedor. Sobressaia, entre a movimentação da festa, a figura do poeta Ronaldo Costas Fernandes.

31.3 – Compareci à Associação Nacional de Escritores para o lançamento do livro Dostoievski arrebatador, de artigos da amiga Vera Lúcia de Oliveira.

15.2 – O amigo jornalista Euler Belém volta a fazer referência à minha poesia em artigo no Jornal Opção – Agenda de leitura -. “...aprecio o racionalismo poético de Salomão Sousa, com a técnica subordinando a sensibilidade aguda e vice-versa, com as miudezas da vida, da natureza, criando um poema extraordinário, de feitura irrepreensível). Porque, ao me desconcertar, a poesia me faz continuar vendo o mundo como surpresa, e não como certeza, naturalizado.”

5.3 – A psicóloga Paula Akkari cita no seu currículo lates o artigo que produziu sobre minhas atividades, denominado “Salomão Sousa e sua Poesia 2021”.

7 de dezembro de 2025

O impossivel, de Maria Martins



Sempre desejei presenciar a peça "O impossivel", de Maria Martins, a única artista surrealista brasileira. Ao comparecer ao museu da CAIXA, fui surpreendido ao me deparar com a obra. Só que ainda não é a obra definitiva. Nessa versão, os tentáculos ainda aparecem distantes. A cada versão, mais intensa é a luta dos corpos e dos tentáculos. Trata-se de uma pré-noldagem, que se encontra numa coleção particular. Pesquisando sobre a obra, descobri que existem pelo menos três exemplares dela. Mas podem existir outros exemplares, pois nenhum especialista esclarece se o que está no Itamarati é uma pré-moldagem ou original. Portanto, essa obra fundamental da cultura mundial merece um mapeamento mais definitivo. São realmente três exemplares originais e quantos existem que são pré-moldagem? Adoro essa obra ainda mais por esse mistério. E adoro pelo impacto. Os tentáculos violentos da complementariedade das relações humanas. Fica a sugestão de tema de uma tese universitária que pesquise essas questões e possamos ter certeza sobre a trajetória dessa obra maravilhosa.
Mas é possivel concluir que quatro exemplares  originais, os especialistas não incluem o exemplar do Itamarati no levantamento. São as seguintes versões originais: 1) MALBA (Museu de Arte Latino Americano de Buenos Aires - versão em gesso; as três versões em bronze: 2) MAM-RJ, doada pela artista, a mais perfeita; 3) MOMA-Nova York e 4) Itamarati-Brasilia. Mas quantas são as pré-moldagens?

25 de novembro de 2025

O agente secreto

As fotos são de minha caminhada até o cinema e servem de ilustração. 

Assisti ao filme "O agente secreto". É um filme oportuno sobre o tempo atual de convivência social violenta. Uma história brasileira construída com escravidão, coronelismo, militarismo, jaguncismo, cangaço e milícias. Carecemos de uma política civilizatória. O filme reflete bem os anos 1970, com boa retratação de époc


a, trilha sonora excelente. O enredo poderia ter menos elementos para ganhar objetividade e também menos referências culturais de rua, que passam a funcionar como ruído. O final poderia ser mais impactante, com menos referencial histórico. Não é claro  quanto à ditadura portuguesa e muito menos à brasileira. É um tapa no elitismo. Mas traz ternura e humanismo. Mas se cobra ternura, podia ser mais econômico nos palavrões e no sangue. Direção e atores estão perfeitos. Minha bronca é mais com o roteiro. Vá e confira.

17 de novembro de 2025

Juçá

um texto para discussão

Como sou goiano, ouço frequentemente a palavra “juçá”. Ao pesquisar a sua grafia, surpreendi com a falta de dicionarização da mesma.

Pude constatar o seguinte:

    Joça Existe a palavra “joça”, que é muito popular em Goiás. É um substantivo feminino, com vários significados.  Pode ser usada para expressar: 1) coisa ordinária, ruim ou malfeita; 2) qualquer coisa que não tem definição; 3) alguma coisa que fugiu à memória do falante e 4) há estudos na internet alegando que a palavra foi criada nas redes sociais pelos jovens para expressar algo que possa ser “bagulho”, que é o mesmo que algo indefinido, e até mesmo incorporando características positivas, de joia. Podemos dizer que a palavra não foi criada na internet, mas simplesmente incorporada pelos internautas, acrescendo novo significado à mesma. Pressupõe que a origem venha para oposição à expressão “joia”, que é expressão de positividade e “joça” para negatividade. Mas há referências de que a palavra é usada desde tempos de antanho em regiões de Portugal para definição de bosta (ruim).

2)     Joçal – s.m – pequenas felpas (pelos rijos) da cana-de-açúcar e que também podem ser encontradas na superfície de alguns frutos e de algumas folhas de árvores e de capim, as quais podem causar coceira ou mesmo infiltrar pequenas partículas na pele ao toque. Origina-se da palavra “rusticālis", que significa algo rústico e simples. A palavra surgiu em Portugal para designar algo vulgar, grosseiro. A palavra migrou para o Brasil e passou a designar as felpas da cana-de-açúcar, certamente como um pequeno xingatório sempre que nelas se esbarrava, causando incômodos. Em tupi, a palavra “juçá” significa coceira.

É de pressupor que a palavra “juçá”, como é usada em Goiás, não está dicionarizada e advém de “joçal” ou então da língua tupi.





16 de março de 2025

Anita documentario

 

Assisti ao documentario de Anitta "Larissa"". Para ser um filme para seu público, a Anitta do filme é banal, piegas e ocupada em exaltar a si mesma. No entanto, é um documentário essencial para mostrar o atraso do País em acolher as diferenças. O funk era proibido nas rádios e a dificuldade para as pessoas da periferia terem acesso a serviços públicos. O único momento importante do filme é quando ela desiste de seguir em frente, pois a qualquer momento podemos interromper um percurso, bem como ajustá-lo. Não mostrou a sua resistência política, mas é uma porta voz importante para enfrentamento do extremismo. Ela tem essa coragem. Mostra que todos nós precisamos assumir esse compromisso.  Anita podia fazer outro documentario. Não só da intimidade como esse que está disponível, mas a politizada, aquela cidadã que defende a democracia e as liberdades individuais. Anita .

14 de março de 2025

Encontro com Chris Resplande e Antônio Moura

Participei do encontro poético realizado em 12.3.2025 Antônio Moura, evento que traz apresentação da trajetória dos poetas e leitura de poemas pelos próprios autores. O canal Encontro Poético, que visa disseminar a literatura, foi idealizado pela poeta Chris Resplande, que, de forma dedicada, torna realidade projetos como o Encontro Poético, em parceria com o Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás. A live está disponível no link: Encontro Poético,

16 de janeiro de 2025

À BEÇA




A expressão "à beça" me persegue a mais de trinta anos. Antes de falecer, o Pe. Joaquim Gomes da Silva, meu professor de Português no Ginásio Anchieta, em Silvânia, numa visita que fiz a ele em Goiânia, me pediu para pesquisar a origem da expressão. Naquele tempo, não tínhamos a Internet para elucidar a questão. Mas, em meu dicionário Caldas Aulete, de 1963, está registrado que a expressão surgiu em razão de existir no Rio de Janeiro um perdulário, isto é, um bom gastador, e passaram a usar o seu nome para significar aquele que gasta muito, à beça.  Agora, nos novos dicionários e na Internet, já remetem o surgimento da expressão para um diálogo entre Rui Barbosa e Gumercindo Bessa sobre a Criação do Estado do Acre, e esse advogado teria se prolongado na defesa de seus argumentos. Depois o presidente Rodrigues Alves, em suas conversas, em referência a esse episódio, teria usado pela primeira vez a expressão para significar "grande quantidade". Há ainda outras possibilidades para a origem da expressão, inclusive para a palavra "abesso", mas tudo indica que ela realmente tenha origem no sobrenome Bessa e que, em 1943, a Academia Brasileira de Letras decidiu que a expressão deve ser grafada com "ç" e não com "ss".

15 de janeiro de 2025

Lançamentos de livros em 2025

Fiz um recorte da lista de lançamentos de livros em 2025. Sou mais conservador. Na lista deve aparecer outros que são importantes para outras pessoas. Aguardo sempre que surja no Brasil uma editora disposta a manter em catálogo uma coleção de livros incorporados ao patrimônio mundial. Muitas obras permanecem fora de catálogo ou nunca foram traduzidas.
1)  Nunca traduziram os romances de Thomas Wolfe (são memorialísticos e introspectivos e longos).
2)  Necessária tradução das memórias de François-René de Chateaubriand (mas são quatro volumes de uma personalidade importantíssima da política francesa do final do Século XVIII e início do Século XIX).
3)  Tradução completa do da A História do Declínio e Queda do Império Romano é uma obra monumental de Edward Gibbon. (editora brasileira não acredta que o leitor brasileiro vá ler um livro tão longo).
4)  Nunca saiu em português, acredito, A Decadência do Ocidente é uma obra de dois volumes de Oswald Spengler. O livro pode ser considerado ultrapassado, mas necessário. Precisamos de uma tradução completa.
5)  Miguel Strogoff, de Júlio Verne. Dão preferência a outros títulos do autor e não entram novas traduções dessa aventura saborosa. Precisamos de uma tradução caprichada, a de Rachel de Queiroz está ultrapassada.
6)  As memórias de Casanova (o mercado editorial é pudico?)
7)  Life of Samuel Johnson de James Boswell. Incrível como nunca se debruçaram sobre esse clássico total. Que coisa!
8)  E tem muito mais: os pequenos romances Solo/Sozinho, de Strindberg, e O Anão, de Par Lagerkvist.
9)  E tem mais: boas edições de poesia. As edições não combinam com poesia. Livros com tipologia e formato que não engrandecem a poesia. Holderlin, Rilke! Precisamos de uma antologia com os grandes poemas da literatura universal. Quando saem algumas, por comodidade de tradução, incluem poemas inexpressivos.
10) Precisamos de biografia de Lincoln, pois as disponíveis são parciais, velhas ou oportunistas.
11) Ah! nunca foi traduzido no Brasil um dos principais livros de Marques de Sade: A nova Justive, o mais sádico de seus livros.
11) Clarice Lispector terá toda a sua obra publicada em Portugal em 2025 pela Peguin.
 
Programação de lançamentos em 2025:
ABOIO
Fome – Knut Hamsun (trad. Camilo Gomide). A tradução de Drummond é abtida, já precisávamos de uma nova.
ÂYINÉ
Um apátrida metafísico – Emil Cioran (trad. Giovani T. Kurz)
CEPE de Pernambuco
Guerra sem Testemunhas: o escritor, sua condição e a realidade social  - de Osman Lins (1924-1978), volta às livrarias 50 anos depois da última tiragem deste clássico da literatura brasileira.
Companhia das Letras
Poesia pois é poesia – Poesia completa de Décio Pignatari
Nova Aguilar
Poesia completa de Fernando Pessoa (incluindo O livro do desassossego).
Editora 34
Os anos de peregrinação de Wilhelm Meister – Johann Wolfgang von Goethe (trad. Claudia Abeling) (não posso afirmar que serão publicadas as duas partes. Livro importante, mas que ainda não foi incorporado à tradição de leitura do Brasil).

EDITORA MONERGISMO

A terra dos viventes – Carlos Nejar (edição definitiva)
Barrabás – Pär Lagerkvist

PINARD 

Avalovara - romance inventivo de Osman Lins, que se encontrava fora de catálogo. Belíssima edição da Pinard, já está em catálogo na editora.

FÓSFORO

Heptalogia – Jon Fosse (trad. Leonardo Pinto Silva)

Global

Angústia – (continua a série de romances de Graciliano com capas de J. Borges).
Poesia inédita – Cora Coralina
Diário de Portugal – Cecília Meireles
Apresentação da poesia brasileira – Manuel Bandeira
Fragmentos da sabedoria – Cora Coralina

TODAVIA
Os livros de Jacob – calhamaço de Olga Tokarczuk (já li em espanhol, impecável).
Sem despedidas – da prêmio Nobel Han Kang (trad. Natália Tae Okabayashi). Não me agradaram os livros anteriores. Sem densidade.
RECORD
O jardim das Oliveiras - novo livro de poemas de Adélia Prado
Meu Passado Nazista, oitavo romance de André de Leones
UBU
O capital – Karl Marx (trad. Flávio R. Kothe & Regis Barbosa, trad. complementar Nélio Schneider, intr. e notas Fernando Rugitsky)
UNICAMP
EPISTOLÁRIO - de cartas e outros escritos de Vico.


https://www.blogger.com/blog/post/edit/4843398825678420679/452811239808696688

Uma leitura de Robert Walser

Comecei antes do Natal de 2025 a leitura do pequeno livro "Jakob von Gunten", do suiço Robert Walser, escritor admirado por grande...