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Motivado por algum crítico — não me lembro se por Carlos Fuentes —, incluí, tempos atrás, na prioridade de minhas leituras o romance Miguel Strogof, de Júlio Verne. Posso dizer que foi o único livro deste autor que li, pois sempre passei ao largo de suas obras. Concluí a leitura neste momento. Em êxtase. Trata-se daqueles livros cercados do domínio do narrador sobre a trama, sobre a construção dos personagens, de levantamento de mínimos detalhes para gerar situações éticas e de suspense, sobre o prazer de narrar como divertimento. Está sendo perdido esse prazer de narrar por narrar: e não pelo profisionalismo de construir! O narrador, aqui, cria situações tresloucadas, mas verossímeis, pois ocorrem através de elisões, omissões, suspenses. Ainda estou acreditando que Miguel Strogof existiu, que atravessou 5 mil e quinhentos quilômetros enfrentando agruras que nenhum mortal jamais sonha ter pela frente. Acredito que todos os encontros casuais entre os personagens verdadeiramente ocorreram dentro daqueles situações inverossímeis. Acredito que todas as traduções, velhas, existentes são péssimas. Merecia uma atualizada! O livro merece ir para a sala de aula para levar nossos jovens a reconhecer a necessidade de cumprir boas missões nessa terra! Há um adjetivo extraordinário numa frase do romance (e o adjetivo está tão em descrédito na literatura moderna!): um vilão esquenta o sabre para investir na pele do herói, mas o herói é tão — sei lá — tão herói, que algo precisa enriquecer essa presença heróica diante do ato vil: nem os carvões acreditam numa ação tão vilã, pois isso, os carvões que esbraseiam o sabre são "carvões perfumados". O narrador de estirpe insere o adjetivo com heroismo na frase! Miguel Strogof! Uma bela lição de narrativa, assemelha-se a um livro de viagem! A viagem do heroismo.

Comentários

Vassil Oliveira disse…
Sa-lo-mão! Acho que seu e-mail não tá lá muito silvaniense não. Mas bela leitura de um livro. Dá vontade de ler com tanto amor escrito. Abraço!

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