Pular para o conteúdo principal
Sobre o lançamento do livro Momento Crítico, declarei a um jornalista que, para mim, representa "o momento de interagir com leituras e participar do processo da perpetuidade da civilização. Entendo que o brasileiro tem lido pouco e, com isso, tem pensado menos ainda. Nos momentos da civilização em que o homem relega o conhecimento para planos inferiores há comprometimento da ética. Sem permanente processo crítico o homem acredita que está livre para qualquer ato, podendo cobrar ética só para aquele que estiver fora do seu círculo. Portanto, penso (e este Momento Crítico é parte do meu processo de pensar) para não passar omisso pelo meu tempo. E espero que os demais venham pensar comigo através desse livro — corrigi-lo ou corrigir-me, complementá-lo ou complementar-me. Mais uma espolética: o que o outro pensa me complementa."

Comentários

Jacqueline disse…
Oi Padrinho! Estou fora do país, mas com muita saudade de todos e de tudo. Adoraria ter participado do lançamento do livro, que tive a feliz oportunidade de inebriar-me, com a peouca leitura que fiz dele. Preciso de um exemplar para educar-me. Um beijo grande

Postagens mais visitadas deste blog

SAUDAÇÕES AO ROMANCE DE WIL PRADO

Wil Prado é uma de minhas amizades mais firmes desde que cheguei a Brasília. Desde nossos passos iniciais na literatura, foram vívidos debates e percursos juntos pela cidade. Por muros vários que atravessam a nossa vida, Wil Prado demorou a publicar seu primeiro livro. E é com alegria que vejo que figuras importantes da literatura brasileira, de cara, se manifestarem favoravelmente ao seu romance SOB AS SOMBRAS da Agonia, editado pela Chiado, de Portugal, do qual foi leitor desde as primeiras versões até o momento de escrever a apresentação. Acredito que são poucos que merecem uma manifestação eufórica de Raduan Nassar.  E, ainda, de João Almino, que acaba de ser eleito para a Academia Brasileira de Letras.
(...) SOB AS SOMBRAS DA AGONIA me tocou sobretudo pela linguagem, por palavras novas, metáforas bem sacadas, e os empurrões articulando o entrecho. Além disso, o romance arrola no geral gente do povo, ao lado de uns poucos salafras da elite, com caracterizações convincentes, inclusi…

ULISSES, de Tennyson

Depois que li esse poema toda minha concepção de poesia foi alterado. Não me satisfez a tradução que aparece no livro de Harold Bloom, Como e por que ler os clássicos, pois, para respeitar a métrica, acabaram cortando parte do enunciado - e isso refletiu na perda da dramaticidade. Fiz a minha adaptação livre a partir do espanhol. Auuuuuuau!!!!! Há uma tradução de Haroldo de Campos que saiu numa edição do Mais!


Fútil o ganho para um rei nada útil,
na calma do lar, à beira de penhas áridas,
unido a uma idosa esposa, a impor e dispor
iníquas leis a uma raça selvagem
que come, e amealha, e dorme, e de mim nem sabe.
A mim não resta senão viajar: beberei
a vida até o fundo. Sempre desfrutei
da fartura, e com fartura sofri, junto àqueles
que me amavam com amor ímpar; e, em terra,
arrastado pela corrente, as chuvosas Híades
agitavam o lúgubre mar: ganhei nome:
para sempre vagando com coração ávido,
vi, possuí, e muito conheci; cidades de homens
e costumes, climas, conselhos, governos,
nunca com desprezo, ma…