Os grãos ainda em sonolência
o granjeiro a tocá-los
com o estrume virgem das mãos
A distância das línguas férteis
em desconexas sílabas e engrenagens
Antes não fossem os reinos
ou as ostras a gerar riquezas
Antes não fossem as perdas
herdadas por algumas bocas
às quais os grãos se negam
e às quais se negam os sais
as sílabas os minerais de um calor
A permitida esgrima
com o esquecimento
Não aconteceria o chulo
a semente ressecada, a ova nula
Não aconteceria a penhora
os grãos triturados de uns seios
Antes não fosse o companheiro
numa viagem, numa visita
O companheiro sem estrume
sem ganas de dizer
sem ganas de ganhar um lírio
Antes não fosse o reino
das ostras incivis
a negar, a não permitir
o estoque da riqueza
São muitos os reinos
Os de Pascal, os dos grãos no estrume,
os de um país de muitas roupas íntimas
Ai! os reinos da lombalgia
Antes fossem os reinos
das ostras da civilidade
A poesia é meu território, e a cada dia planto e colho grãos em seus campos. Com a poesia, eu fundo e confundo a realidade. (Linoliogravura do fundo: Beto Nascimento)
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Folder do lançamento do livro
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Depois que li esse poema toda minha concepção de poesia foi alterado. Não me satisfez a tradução que aparece no livro de Harold Bloom, Como ...
Essas ostras que estocam ouro de tolo ao invés de grãos de areia... É muito mais do que podem carregar.
ResponderExcluirMuito bom o poema.
Beijos.