maio 25, 2010

Nao era pra ser uma referência drummondiana

A máquina fala por mim
respira, traduz
A máquina come por mim
me lava, me induz
Minhas mãos perderam a utilidade

Deixei de ser caipira
Drummondiano não mais
O chão está plantado
Não desejo ir
não me peçam pra ver
Legaste-me um maquinismo para o sexo
Uma cápsula
para conformar a ausência de amor

A máquina me traz
todas as paisagens pra casa
Se peço algodão
a máquina me dá a paisagem
mais branca
me tece a paisagem retilínea
quase uma linha
A máquina me dá
a paisagem da ferrugem
se peço para ser ferro
Não preciso sair de meu quarto
pra ir a Itabira

2 comentários:

Lara Amaral disse...

A máquina quer nos dar tudo pronto, mas estamos ainda num longo processo (processamento).

Gostei, poeta!
Abraço.

Cinen de Sousa disse...

Nao era pra ser uma referência drummondiana - talves tenha sido, não sendo! Parabéns, belo poema.