Pular para o conteúdo principal

Jonatham Franzen

Estou um pouco sumido daqui do blog, mas a cultura está fervilhando em minha cabeça. Primeiramente, a frustração do cancelamento da Bienal Internacional de Poesia. Agora terei de encontraroutra saída para a antologia da poesia goiana, que organizei para o abortado evento. A antologia está pronta. Agora vamos precisar de outro patrocínio ou de alguma editora encampar a publicação. Vou ver isso com  calma, e aceitamos indicações de soluções. Não foi culpa do Antonio Miranda, mas de visões caolhas da administração.

Vi poucos filmes. "Árvore da vida", de Malick, é frustrante. Não merecia estar em Cannes. Imagens desconexas, roteiro que não sabe o que quer: misticismo ou crítica à família. Li um livro de Amin Malhouf. Líbio residente em Paris. Ver como outras culturas  pensam a organização do mundo. Só a visão americana ofusca a forma de como a humanidade deseja o domínio econômico e as relações internacionais.

Finalmente, li o aclamado "Liberdade", de Jonathan Franzen. Romance caudaloso (605 páginas) sobre a fragmentação da sociedade americana. Não só da sociedade — de sua cultura. O livro mostra como a forma de ser realista de composição romanesca mudou. Venho brigando: sem conhecer a sociedade não é possível escrever. E Franzen conhece. Às vezes pisa na bola: no momento em que vai escrever sobre gerações anteriores, continua no mesmo tratamento que dá aos aspectos contemporâneoas. Mas é um autor oportuno e importante — não tem como deixar de reconhecer. Vou agora passar para a leitura do seu livro anterior — "As correções", que é considerado a sua obra prima. Se é assim, Franzen vai muito bem. Ainda mais para um autor novo: 42 anos. Em alguns momentos a tradução escorrega, mas a própria formatação do estilo, que está preocupado em mostrar a deterioração da linguagem, também complica ou mascara o trabalho do tradutor. Mas há erros na edição, que merecem "correções" em edições futuras. Umas duas que assinalei, só para encher o saco: "Mas pode dizer que antecipar" (pg 362) — a frase não pode ser esta, pois está totalmente sem conecção; "E provavelmete conseguir" (pg 161) — anotei esta, mas a frase está correta, só que a tradição do português recomenda as vírgulas. Acabei não assinalando outros exemplos... Mas são muitos, sobretudo a falta de ajuste às tradições do português em nome à fidelidade do original. Muita coisa não funcionou bem. Mas é um romance de extraordinária oportunidade. Vai ter o seu espaço e merece leitura.    

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Resenha sobre o filme "300"

Por Ana Paula Condessa

Todo filme tem seus méritos, seus pontos fortes, mas também tem furos e contradições. O filme 300, já em exibição, surgiu da história em quadrinhos “Os 300 de esparta” - criada e desenvolvida por Frank Miller. É impressionante a grandeza da produção do filme que chega a representação, com muita propriedade, por retratar a batalha que enfrenta o rei Leônidas -,os soldados espartanos, seus aliados contra o exército persa de Xerxes, na Batalha das Termópilas -, desfiladeiro da Grécia. Esparta - é uma sociedade que é toda voltada para a arte da guerra e todos os indivíduos, que dela fazem parte, são instruídos para tal. No filme é passado muito do que era Esparta e seu contexto, algo de muito valor para compreender a essência da Batalha das Termópilas - . A guerra é o meio de vida dos espartanos e, antes mesmo desta grande batalha que ficou para a história e, cujos métodos e estrutura de guerra foram usados por muitos anos em batalhas posteriores, eles moldaram um im…

SAUDAÇÕES AO ROMANCE DE WIL PRADO

Wil Prado é uma de minhas amizades mais firmes desde que cheguei a Brasília. Desde nossos passos iniciais na literatura, foram vívidos debates e percursos juntos pela cidade. Por muros vários que atravessam a nossa vida, Wil Prado demorou a publicar seu primeiro livro. E é com alegria que vejo que figuras importantes da literatura brasileira, de cara, se manifestarem favoravelmente ao seu romance SOB AS SOMBRAS da Agonia, editado pela Chiado, de Portugal, do qual foi leitor desde as primeiras versões até o momento de escrever a apresentação. Acredito que são poucos que merecem uma manifestação eufórica de Raduan Nassar.  E, ainda, de João Almino, que acaba de ser eleito para a Academia Brasileira de Letras.
(...) SOB AS SOMBRAS DA AGONIA me tocou sobretudo pela linguagem, por palavras novas, metáforas bem sacadas, e os empurrões articulando o entrecho. Além disso, o romance arrola no geral gente do povo, ao lado de uns poucos salafras da elite, com caracterizações convincentes, inclusi…