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Enquanto não acontece o lançamento do meu livro Safra Quebrada, no dia 15 de maio, a partir das 19 horas (Carpe Diem, 104 Sul, Brasília), onde aguardarei os amigos, vamos ler um poema do venezueano Juan Liscano, em tradução de minha autoria (outros poemas de Juan Liscano podem ser lidos em tradução de Antonio Miranda (www.antoniomiranda..com.br) :

MARCAS

Juan Liscano

As marcas nos confundem.
Procedem de toda parte.
De ontem, deste momento, de amanhã.
São passadas intermináveis
uma invasão de rastros vorazes
um solo de estrondosos passos.
Idas e vindas, migrações
famílias errantes em nós
que nos cruzam sem cessar, que saem, entram
deambulam por todos os rincões
em cada lugar do andar
e até nos muros onde suas marcas digitais
são largas feridas sangrentas.

O vento sopra em vão sobre esses rastros.
Não pode aventurá-los para outros lugares
talvez regue-os pelas moradias
pelos aposentos
pelas covas onde vive o louco da região
entre as samambaias da colina
onde pasta o cavalo
nas rochas onde eu divertia Prometeu.
Não pode aventurá-los
nem pode secar o sangue sobre os muros.

Comentários

genial,este fala à minha lingua.
-Tem um brinde à você lá no punctum!
Anônimo disse…
Olá, Salomão. Eu sou apresentadora de TV e no próximo sábado estréio um programa de notícias, literatura e cinema, junto com Sérgio de Sá. Vamos dar uma nota sobre o lançamento do seu livro. Se você quiser divulgar outros lançamentos ou eventos literários, este é o meu email: polyanaresende@yahoo.com.br.

Abraço,
Polyana Resende

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