Um poema construído após um diálogo com Gardênia Holanda Maciel
sobre a necessidade de montagem do poema acima da datação do real:


Está incompleta a boca.

Esqueceu o vértice de uns ombros,
da prata de uns umbrais.
Da possível palmatória na hora do crime,
das algas já em águas claras.

Não se lembrou do instante de inclinar
a palavra — a palavra que liberta o escravo.
Esqueceu de enfiar outra saliva
na travessia de uns umbrais.

Abandonou o sopro
diante do que dizer.
Se achou florida a calêndula,
deixou-se lêndea escrava nas escarpas.

Estão fundadas as ruínas de calar .

Comentários

Natália Nunes disse…
Lindíssima poesia, Salomão!

Olha que tirei um tempinho para ler uns blogs hoje e esse foi o texto que mais me marcou até agora, lindo, lindo.

Voltarei.

Abraço, poeta!
Natália Nunes disse…
ô Salomão, não irei à Bienal, mas minha tia que mora aí foi, ontem e hj :)

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