20 de agosto de 2008

Um poema construído após um diálogo com Gardênia Holanda Maciel
sobre a necessidade de montagem do poema acima da datação do real:


Está incompleta a boca.

Esqueceu o vértice de uns ombros,
da prata de uns umbrais.
Da possível palmatória na hora do crime,
das algas já em águas claras.

Não se lembrou do instante de inclinar
a palavra — a palavra que liberta o escravo.
Esqueceu de enfiar outra saliva
na travessia de uns umbrais.

Abandonou o sopro
diante do que dizer.
Se achou florida a calêndula,
deixou-se lêndea escrava nas escarpas.

Estão fundadas as ruínas de calar .

2 comentários:

  1. Lindíssima poesia, Salomão!

    Olha que tirei um tempinho para ler uns blogs hoje e esse foi o texto que mais me marcou até agora, lindo, lindo.

    Voltarei.

    Abraço, poeta!

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  2. ô Salomão, não irei à Bienal, mas minha tia que mora aí foi, ontem e hj :)

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Salomão Sousa sente-se honrado com a visita e o comentário

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