30 de setembro de 2010

imitação do vento

num porto que se desfaz em areia
se expoem ao desamparo as falésias
constroem trilhas abrem fendas
as mãos de um vento que não descansa

as velas levam os pensamentos
não me lembro se uma corrente
me trouxe rumos brancos
ou a fera inútil ao meu leito
se uma criança acorda
num país tão perto da bonança

ainda que fosse outro no barco
o vento não iria esquecer as orlas
as águas não prometeriam chegarem mansas 
ainda que se esqueça ou que se lembre
tem muitos barcos a esperança

Um comentário:

  1. Deixaremos os barcos além vela, além mar... Isso é poesia!

    ABRAÇÃO. MUITO OBRIGADO POR AQUELE DIA QUE FUI EM SUA CASA.

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Salomão Sousa sente-se honrado com a visita e o comentário

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