21 de dezembro de 2010

Heleno Godoy

Noite de Natal, 2010

Num ano, perde-se o pai; noutro, ganha-
se um neto e, no entanto, não se trata de,
após a flor, aguardar pelo fruto e por sua
semente consequente, nova possível rama

e rumo, como se numa sucessão ou rota.
Nesta noite, como em outro qualquer ano,
este anjo apenas de novo iludir vem sonhos
nossos, oferecer-nos essa sensação que não

sacia jamais nossa fome sempre e cada vez
maior, pois é somente isso o que este anjo,
nesta noite, nos proporciona: não a supres-
são pela ordem, nem a possível sequência;

só mesmo esta repetição, mais nada, como
se jamais soubéssemos ou pudessemos dis-
tinguir, nesta noite, o que é esperança do
que não passa de mera ilusão da eternidade.

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