Pular para o conteúdo principal

Mensagens natalinas

Publico aqui dois poemas que recebi entre as mensagens natalinas que já me foram enviadas neste fim de ano. O amigo Sérgio Gaio encaminhou um poema de Anderson Braga Horta, e Miguel Jorge encaminhou um poema de sua própria autoria. Saúdo a todos com estes poemas dos meus amigos.

JESUS


Anderson Braga Horta

Noite clara em Belém. Canta em surdina
o luar no firmamento constelado.
Natal — noite de luz, noite divina.
Cristo — um lírio na treva do pecado.

Brilha agora, no céu da Palestina,
meigo, intenso clarão abençoado:
do espaço, a Estrela aos simples ilumina
o berço do Senhor recém-chegado.

Os Reis Magos e os cândidos pastores
dão-lhe incenso, ouro e mirra, hinos e flores...
E o Menino, alegrando-se, sorria.

José fitava o céu, todo ventura.
E as estrelas, chorando de ternura,
cintilavam nos olhos de Maria.

POEMA DE NATAL COM ÁGUA

Miguel Jorge
                                  
Do menino se via os pezinhos cruzados,
o sol, nas águas do seu corpo,
secava os cabelos prateados.

Em meus olhos, outro menino
na Manjedoura, talhado em ternura,
nada sabe do mundo.

E se fosse somente pelos pés, um menino
seria o outro, afora a costura do tempo.
As alucinações do mundo, as mesmas,
a desorganizar sonhos em imagens
pelo planeta. 
                                              
Que fosse por este Natal, o encontro das raças.
De alguém a atar abraços, os dedos assim,
entrelaçados ao acaso. A vitória do amor, na
leveza do silêncio que o alimenta.

Entre um céu e outro, o sol enche de luz
os objetos. Bichos e santos num instante
de eternidade a se renovar naquela noite.

A chama da beleza rudemente acesa floresce
as distantes manhãs: e que nada se diga dos
mistérios dos corações, as águas dos rios
a destrançar hemisférios.

É Natal! Deito-me e o nome continua
a ecoar enorme dentro de minha infância:
É Natal!

Um breve rumor de palavras escritas
na alma e, outras tantas, que mudas,
ficaram por se dizer.
É Natal! Precisamos justificar
o peso do tempo que passa,
pesa e nos enlaça.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Resenha sobre o filme "300"

Por Ana Paula Condessa

Todo filme tem seus méritos, seus pontos fortes, mas também tem furos e contradições. O filme 300, já em exibição, surgiu da história em quadrinhos “Os 300 de esparta” - criada e desenvolvida por Frank Miller. É impressionante a grandeza da produção do filme que chega a representação, com muita propriedade, por retratar a batalha que enfrenta o rei Leônidas -,os soldados espartanos, seus aliados contra o exército persa de Xerxes, na Batalha das Termópilas -, desfiladeiro da Grécia. Esparta - é uma sociedade que é toda voltada para a arte da guerra e todos os indivíduos, que dela fazem parte, são instruídos para tal. No filme é passado muito do que era Esparta e seu contexto, algo de muito valor para compreender a essência da Batalha das Termópilas - . A guerra é o meio de vida dos espartanos e, antes mesmo desta grande batalha que ficou para a história e, cujos métodos e estrutura de guerra foram usados por muitos anos em batalhas posteriores, eles moldaram um im…

ULISSES, de Tennyson

Depois que li esse poema toda minha concepção de poesia foi alterado. Não me satisfez a tradução que aparece no livro de Harold Bloom, Como e por que ler os clássicos, pois, para respeitar a métrica, acabaram cortando parte do enunciado - e isso refletiu na perda da dramaticidade. Fiz a minha adaptação livre a partir do espanhol. Auuuuuuau!!!!! Há uma tradução de Haroldo de Campos que saiu numa edição do Mais!


Fútil o ganho para um rei nada útil,
na calma do lar, à beira de penhas áridas,
unido a uma idosa esposa, a impor e dispor
iníquas leis a uma raça selvagem
que come, e amealha, e dorme, e de mim nem sabe.
A mim não resta senão viajar: beberei
a vida até o fundo. Sempre desfrutei
da fartura, e com fartura sofri, junto àqueles
que me amavam com amor ímpar; e, em terra,
arrastado pela corrente, as chuvosas Híades
agitavam o lúgubre mar: ganhei nome:
para sempre vagando com coração ávido,
vi, possuí, e muito conheci; cidades de homens
e costumes, climas, conselhos, governos,
nunca com desprezo, ma…