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Mostrando postagens de Fevereiro, 2012
Dia intraduzível
Quarta-feira de Cinzas amanhece
com o silêncio na rua
Destes silêncios que apagam
de nossos ouvidos a música
construída com trapos
socos e pontapés
Do silêncio emergem
a música dos pássaros e a ebulição da água
A calçada vai avançando limpa e desobstruída
Vem a certeza de que a rua
volta a ser dos velhos e das crianças
As amizades voltam inteiras, o pólen
pronto para a abelha
que chegarão com o sol
Para continuar a servir a amada
a taça ficou inteira
e enche-a g
ot
a a
GO
ta
a confiança

Lamentos de Menon por Diotima

Duas estrofes do hino "Lamentos de Menon por Diotima", de Holderlin, na tradução de Paulo Quintela. A primeira e a última. Toda tradução faz opções. Há uma tradução espanhola que talvez fosse ideal para o primeiro verso, que para o português ficaria assim: "Em vão vou todos os dias em busca de mudança/calam minha fala todas as trilhas da terra". No terceiro, seria "cimos gélidos", pois no romantismo - e principalmente nesse poema - um clima de frieza. Mas, no entanto, é um dos poemas que mais me "gelam o coração".


1

Todos os dias saio, sempre à busca de caminho,
   Há muito interroguei já a todos os da terra;
Além dos cimos frescos, todas as sombras visito
   E as fontes; erra o espírito pra cima e pra baixo,
Pedindo sossego; assim foge o bicho ferido pros bosques,
   Onde outrora ao meio-dia repousava seguro à sombra;
Mas o seu leito verde já não lhe restaura o coração,
   Lamentoso e sem sono o aguilhoa por toda parte o espinho.
Nem do calor d…