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poema da partida



Como dar pouso ao viajante
que não encontrará o cheiro morto
que não abrirá a porta de travas já desgastas
Ausente de piedade por ser livre
a rosnar a voz que enfraquece
num círculo de fogo vindo esmaecido
Entra na estrada de brasas que desaquecem
este viajante que só é possível
por existir estrada e hora de insistir

Se atreveu a seguir por caminhos
que não descobriu novos
se prisioneiros acorrentados
afundaram os dorsos dessas cavas
em que avança sem nada a obstruir
suas longas passadas e avança livre

Libertou-se das vozes que definiram
as engrenagens de compassar as horas
e dos mordomos circunspectos dentro das câmaras
Nem mais se importa com os guerreiros mortos
com as travas que estraçalham as bocas
rasgam-nas enquanto seguram a pressão das cargas

Por acordar livre se ausentou
para chegar a lugares inconcebidos
Permanece na precária voz das pétalas
que um poeta teima em dar vida
com a água da noite e o sumo de fugir
por insistência da reclamação da lírica

Está no sonho do amante a varrer
num ponto da cidade um monte de moedas
Ninguém mais vê o viajante na cidade
assim como fica sem ser vista
a relva que será ao término da fuga
o leite na mesa da ceia adventícia

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