19 de março de 2014

Essência



E se decompõe a pétala
e cinzas virão dos ossos
E se recompõe a flor
em outro momento já morta
e o que o homem pensa
não vai se esvair num fosso

E se alguém passa a mão
não se lacera com a maldade
nas legendas cunhadas em cera
que algum outro recorta
Não importa se ao caminho 
foi imposta a derrota
Dos que poderiam seguir com o orvalho
esvai-se a essência da cânfora
e da rosa que o sol macera

Apodrecimento das vigas
dos suportes dos olhos
Na manhã a folha úmida
com a bondade
que foi a nuvem que cai
Na fronteira atravessa os postos
a essência do velho 
que veio das pétalas do moço

São os evidentes passos 
em que andam as conquistas
e também as derrotas
Se recompõe a essência
antes volátil dos mortos
Poderia ter existido 
depois de sair por um sopro

E se o campo compõe os ganchos
de braços retortos
e os brotos pensam frutos
e carretilhas a madeira
e de barro as presilhas
dobrada camisa de linho
para depois do banho do torso
A estrada é o que merecem os pés
que ultrapassam o decomposto

Desfolha a melhor resposta
a mente que não expõe o dorso
E se for descaminho 
a direção em que se perde
mudar de urtiga e de broto
A cana estará madura
enquanto geras com tua essência
as cinzas que irá acolher a ânfora






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