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Mostrando postagens de Setembro, 2006
Passarei três dias em Bom Despacho (MG), numa feira cultural, a convite do escritor Jacinto Guerra. Participarei de uma mesa de debates de literatura. Retornarei da viagem com os escritores Alaor Barbosa e Napoleão Valadares. Nas horas de repouso, estarei estudando o processo poético com Antônio Cândido, através do livro "O estudo analítico do poema", da editora Humanitas.
Enquanto isso, deixo para os amigos o meu último poema:

Estive com gafanhotos das esquinas
eram de luzes nas folhas de prata
homens disputavam
as decisões do destino

De Anicuns trago novos bordados
e de trilhas da serra
nas roupas gotas de orvalho
Aprendi a fisgar em Aruanã
trago o brilho das fiadas de peixes
Outros trajetos de nuvens
Outros jeitos de ver a nudez
de achar poços nas barras
A caixeta feita com zelo
pus no bornal, em Santa Luzia
Em Palmelo a loucura nos cabelos
De Floripa vêm ripas de gelo
Com feixes de fogo eu estive
braças de bem, esconderijos de sal

Estive nos milagres de Muquém
em esquinas de greves
em dis…

A ARTE DA CALHORDICE

Desde o fracasso dos regimes socialistas, foi decaindo a importância do envolvimento social da obra de arte. E essa tendência mais recrudesceu com o sucesso dos movimentos de vanguarda. Passou-se a preocupar mais com a liberdade individual, que cresceu tanto que passou a prevalecer sobre a ética coletiva.

Não pregamos o policiamento da arte, mas o questionamento das vozes em que é feita a obra de arte. Dependendo da voz em que ela é composta, acaba servindo a interesses prejudiciais à formação do indivíduo e à pratica da sociabilidade. Ainda recentemente ouvi um texto que usa a voz de um elemento criminoso para desancar a paz. É preocupante, pois o texto serve à apologia da violência àquele que não está inserido no ordenamento da paz, pois o texto não apresenta um contraditório a esta voz que prega a apologia violenta.

Outro susto dentro de minha casa. Dois artistas de ampla aceitação popular apareciam na tela da televisão, com rostos esborrachados, transpirando a bebida e cantando uma …

Especial para A VOZ, jornal de Silvânia

A Terra do Coração

Nasci à beira do rio Calvo. A fazenda de meu avô nem chegava a ter nome. Chamavam-na de Fazendinha. E só agora, quando convidado pela A Voz a falar sobre o 325º aniversário de Silvânia, comemorado em 5 de outubro, foi que me preocupei com o nome do lugar em que nasci. Ainda no Festival de Poesia de Goiás — depois de eu dizer no recebimento do Prêmio Goyaz de Poesia pelo livro Ruínas ao Sol que nasci às margens do rio Calvo — o poeta Gilberto Mendonça Teles ainda brincou comigo, alegando que eu não podia ter nascido perto de um rio, “pois Silvânia não tem rio”.
Saí de Silvânia há 35 anos, portanto só posso abordá-la com o olhar da juventude. E, se de juventude, olhar de inocência. Não é à toa que as minhas primeiras matérias jornalísticas foram publicadas em Silvânia com a afoiteza de um crítico ainda em formação. Nunca me arrependi daqueles comentários, pois eles contribuíram para atitudes administrativas à época —, mas hoje a minha abordagem se daria com maior leveza…
Gosto dos poetas trágicos e objetivos, que enxugam o texto de todo percurso desnecessário. Assim é com a obra do grego K. Kaváfis, que têm toda a sua obra canônica editada agora no Brasil pela editora Odisseus, em tradução também objetiva de Ísis Borges B. da Fonseca. São 154 poemas de toda uma vida. Ou de muitas vidas, se vão se inserindo em outras vidas, basta ver a minha, que não é a mesma vida depois de ter contato com eles.

O meu contato com Kaváfis vem de bem antes. Desde que conheci o poema 14. Esperando os Bárbaros, que é conhecido em quase todas as línguas e por quase todos os homens, principalmente os poetas.

Mas tudo que eu disser será inútil. Já que o poemas podem dizer tudo por eles mesmos. Quem não treme diante desse poema de Kaváfis:


23. A CIDADE


Disseste: "Irei à outra terra, irei a outro mar.
Uma outra cidade há de achar-se melhor que esta.
Cada esforço meu é uma condenação fatal;
e está no meu coração — como morto — enterrado.
Meu espírito até quando ficará neste marasm…
Assim como fiz uma lista de livros preferidos, faço também a lista dos meus 10, que seriam 100 discos de música brasileira preferidos. É claro que ficam faltando Baden Powell, Nara Leão... Não posso colocar em ordem númerica, pois seria injusto com qualquer um deles. Se você não tem pelo menos 5 discos destes em casa a sua casa, me pedoe, está muito vazia:

@) Falso Brilhante, de Elis Regina, com músicas de Belchior. Mas e a Elis do "Bêbado e Equilibrista", e da parceria com Tom...
@ Construção, de Chico Buarque, que reconstrói o cotidiano de Noel Rosa. Mas e os três primeiros discos, e os do meio da carreira, oh meus caros amigos: tenham Chico inteiro.
@)Elizethíssima, de Elizeth Cardoso, pela perfeição da interpretação
@)Muito, de Caetano Veloso, pela maturidade da sonoridade brasileira
@)Alucinação, de Belchior
@)Travessia, de Milson Nascimento (a descentralização da música brasileira)
@)Foi um rio que passou na minha vida (1970), de Paulinho da Viola
@) Gente da Antiga (1970), …

A carta entregue na velhice

Quando li a trilogia da crucificação encarnada, de Henry Miller, fui atraído para a obra de Knut Hamsum. Principalmente para o romance Um vagabundo toca em surdina (há edição nova pela Itatiaia), que tem uma poeticidade extraordinária, e que influenciou não só Sexus, Plexus, e Nexus, mas quase a totalidade de obra de Henry Miller. Antes, tinha lido Fome, na bela tradução da coleção Nobel, por Carlos Drummond de Andrade. Hoje, ao pegar o livro, saltou na minha frente este parágrafo:

"Quando chega a velhice, deixamos de viver o presente e passamos a viver de recordações. Chegamos como uma carta ao seu destino; deixamos de ter caminho a percorrer. Resta-nos, unicamente, saber se a nossa passagem pelo mundo desencadeou turbilhões de penas e alegrias, ou se a nossa vida nos deixou uma única sensação."

Tenho medo de já estar ficando velho, pois a todo instante alguma sensação do passado quer sobrepujar sobre os turbilhões que preciso viver no presente.
Talvez ainda não esteja tão v…

Eu, Fernando Mendes Viana e o coração

E Fernando Mendes Vianna enaltecerá sempre o coração:

CANÇÃO DO CORAÇÃO

Coração, cavalo verde
Com espumas, vento e mar.
Coração, cavalo verde,
teu galope é navegar.

De esmeralda, este cavalo
me conduz até o gral.
Meu destino é galopá-lo
e desvendar o animal.

Ó cavalo da esperança,
que ânsias na sua crina!
Que importa se ele me cansa:
galopá-lo é minha sina.

Coração, cavalo verde
com espumas, vento e mar,
coração, cavalo verde,
teu galope é navegar.

Pequena lembrança de Fernandes Mendes Vianna

Se eu e Ronaldo Costa Fernandes soubéssemos que não mais teríamos oportunidade de voltar a encontrá-lo, não ficaríamos ali estáticos na Livraria Cultura, no sábado que antecedeu ao seu falecimento, fazendo promessas de marcar encontro com o amigo Fernando Mendes Vianna.

Antes, em 4 de setembro, ao ir à Feira do Livro de Brasília para o lançamento do livro Meninos, eu li, de Alan Viggiano, ele me abraçou com o afeto dos grandes poetas.

No dia seguinte, à noite, ele telefonou para a minha casa para expressar a satisfação de ter conhecido a poesia do meu livro Ruínas ao sol, que Tânia, carinhosamente, tinha lido para ele, já que nos últimos tempos padecia do agravamento da deficiência visual. Fez questão de dizer, no entanto, que o problema não o estava afetando, pois aproveitava para ter outras experiências com a vida. Falou uns vinte minutos. Foram os minutos mais elogiosos que a minha poesia já mereceu. E estes minutos mais se prolongaram, pois, em seguida, ligou para Ronaldo Costa Fern…

Lançamento do livro Ruínas ao Sol

Agradeço a todos que estiveram na Feira do Livro de Brasília para o lançamento do meu livro Ruínas ao Sol, ou que contribuiram na viabilização do livro e na divulgação do evento.
Ainda recentemente, num café com o poeta e romancista Ronaldo Costa Fernandes — amigo especial que está de aniversário —, ele me dizia que se existir um leitor numa cidade, as autoridades dessa cidade tem a obrigação de manter uma biblioteca.
Eu também posso dizer que, enquanto tiver "um" leitor amigo que nos incentive e nos faça companhia na festa de um livro, ainda compensa continuar escrevendo poesia —, ainda tenho a obrigação de continuar buscando novos caminhos para a linguagem poética.
A poesia não tem compromisso só com a emoção, ou com a comunicabilidade imediata com os leitores. Assim como as ruas e as casas precisam dos jardins e de novas mãos de tinta, a língua precisa da tintura da poesia para ampliar as suas vestimentas de beleza. Manoel de Barros diz que a poesia é como a minhoca que dá…
Aqui aparecem comigo amigos especiais:

1)Ronaldo Cagiano e Rosangela Vieira Rocha

2)Robson Araújo e Herondes Cézar (a quem o livro também é dedicado);

3) e Fábio Coutinho.
Aqui está a família.
Acima: no primeiro plano, o César; sentados, aparecem a nora Geiliana, o Rui, que já é da família, a Francisca (minha esposa), e a Maria Antônia (nossa Toinha). A Lídia e a Carol deviam estar nessa foto, mas ficaram em casa se preparando para o dia de escola seguinte.
No meio, a neta Maria Clara.
Abaixo: a minha neta Laura Beatriz e sua amiga Izabela.
Aqui aparecem muitos amigos pessoais.
Acima: o Arthur, depois de mim aparece seu pai Ronaldo Alexandre, compadre, a quem o livro é dedicado, em seguida vem meu afilhado Diogo Alexandre e a sua namorada Raquel — neta do poeta Augusto de Campos.

No meio: são meus leitores da quadra. Tomaram o ônibus sozinhos e foram ao meu lançamento. Só esse gesto justifica ter feito o livro. A Larissa, a Ludmila (que estava de aniversário) e o Albert. Bjões procês.

Abaixo: a valentia da Assessoria Parlamentar do Ministério do Trabalho. A Kathiane, o assessor Sílvio Arthur Pereira, a Lili, nossa adjunta, a Noelma e sua filha Natália.