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Leituras

Dialogando com o amigo Herondes Cezar, chegamos a novas conclusões sobre a regência do verbo "deparar", pois o mesmo admite, com a dinâmica da língua, quase todas as possibilidades: a) transitivo direto; b) transitivo indireto (com a preposição com); c) pronominal com a preposição com; d) transitivo direto e indireto; e) transitivo indireto com a preposição a; f) pronominal, usado com a preposição a.

Deduz-se,assim, que as construções usadas na tradução citada abaixo, estão corretas.

...............

Alterei a ordem proposta ao Jornal Opção para as minhas leituras em 2010. Com a proximidade do lançamento do filme baseado no livro, li Alice no país das maravilhas. Fiquei encantado, maravilhado (edição meio adaptação da Cosac Naif). Vou reler numa tradução mais fidedigna e mais fidedigno deverá ser o maravilhamento.

Cheguei a consultar a Dad Squarisi sobre o uso de dois verbos pronominais pelo tradutor de Alice no país das maravilhas, edição da Cosac Naif — deparar e secar. Logo nas primeiras páginas, Alice "deparou com uma mesinha" (pág. 15). Neste caso, o verbo não é pronominal, mas tem de ser dispensada a preposição "com", pois "mesa" é um objeto inanimado. Na pág. 19, seria o mesmo caso da abolição do "com". O verbo "secar" (pág. 33) está usado corretamente, pois Alice tinha de secar rapidamente (estava molhada) (A frase: Sei como todo fazer todo mundo secar rapidamente.). Mas no final do livro "pôr-do-sol" (pág. 146) está grafado incorretamente sem hífen. E se mais erro houver, que fique para São Consertador de Defeitos. Só mesmo para lembrar que não estamos imunes a incorreções e a infidelidades.

E tropecei no Tom Jones, de Henry Fielding, que é leitura adiada desde a minha juventude.
Deixo aqui uma frase que aparece na longa dedicatória do Tom Jones:

"... nada do que se consegue pelo crime pode compensar a perda desse sólido conforto interior do espírito, companheiro seguro da inocência e da virtude; nem pode, de forma alguma, equilibrar o mal desse horror e dessa ansiedade que, no lugar delas, a culpa nos introduz no seio."

Poderíamos reduzir a frase, tornando-a atual:

Nada do que se consegue pelo crime pode compensar a perda do conforto interior.

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