28 de julho de 2010

Visita a Palmelo (GO)

Esqueci se fui o prisioneiro em Palmelo
se minhas mãos entraram em roldanas
e se havia luz ou a sombra a cavalo
enquanto exauria a minha insânia

Esqueci se gritei nas pequenas câmaras
em frente aos frutos de cores inúteis
de sabor inútil na futilidade dos dias
Não me lembro das horas
e se elas não eram horas fúteis

Esqueci se fui o prisioneiro sem número
sem memória entre os irmãos
com os punhos entre as tiras
a testa aferrada às grades

Esqueci se me enfureci aos pulos
se me abandonei alheio entre as fezes
Esqueci se havia um trono, um país
uma cidade a quem queria arbitrar a sanidade

Esqueci-me se fui o amante
da louca das horas limpas
Chamou-me um barão à terra dos milagres
Entreguei meu corpo de gestos inúteis
Visito o ferro fincado num pátio em Palmelo

acaricio-o com as mãos livres

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Salomão Sousa sente-se honrado com a visita e o comentário

https://www.blogger.com/blog/post/edit/4843398825678420679/452811239808696688

Leitura para melhoria da prática e da participação política

Em continuidade aos meus estudos sobre o fascismo/totalitarismo contemporâneo, li o livro O homem mais perigoso do País , do brasilianista R...