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Party, de Manoel de Oliveira

Assistir um filme de Manoel de Oliveira é sair da indolência. É impossível não desencadear um processo de questionamento da realidade ao seguir a sabedoria que ele inclui em cada fala de seus filmes. Assustei-me quando fui tardiamente pela primeira vez a um de seus filmes ("Um filme falado"), e o único que até hoje vi no cinema. Hoje, saquei o filme "Party" de uma caixa comemorativa do centenário dele, que encomendei diretamente de Portugal. Um filme que é para ser um tour de força dos sexos entre dois casais, se transforma numa análise existencial da burguesia, do relacionamento amoroso, do vazio existencial. Tanto que para estes eflúvios de inteligência, os personagens talvez nem sejam personagens, pois eles levam os próprios nomes dos atores (Michel Piccoli, Irene Papas, Leonor Silveira e Rogerio Samora). Leonor Silveira e Rogerio Samora, em 1996, estavam belos no sentido pleno da beleza. Já naquele ano, Manoel de Oliveira já enfatizava que a fidelidade já se transformara em algo cansativo; que o ócio esvazia o prazer. Só vendo para crer, para pensar e ver a beleza, esta beleza que independe de correrias, mas quase contemplativa. Manoel de Oliveira é cinema, é poesia na melhor inteligência poética de um Fernando Pessoa.   Ver a página de Manoel de Oliveira.

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