janeiro 11, 2012

Poema para alguma chuva

De um único dia que tivestes mantido
com artigos de penúria, de esperas
de outros equilíbrios, gemas, moedas partidas
que já escorriam por outros enxurros,
de um quebrável desejo que nem pressentias.


Desejo do barro de ruir, da árvore
de escorregar por uma encosta.
Raios esfoliavam-se ao longe, pendiam
das montanhas as grandes tampas
dos teus pressentidos túmulos
e nem vias.


Estendia-se em côdeas de lama o pão
que nem partistes com irmãos afugentados,
submersos sob teus cabelos, sob teu leito,
com pássaros agora em outras portas,
A roda partida nas poças que escondiam
a trama do estouro, a frigidez da rês morta.


Há o mundo todo com tantas vias
e toda a chuva jorra sobre ti
sem que tenhas almejado ser
o grão para todas as águas
ou o Nabucodonosor dos grandes templos.


Na areia da história Nefertiti cresce.
Outra montanha aguarda Tomé
que para enfrentá-la já se encaminha
desimpedido, ciente que nenhuma chuva,
nenhuma torrente de barro o desmembrará.


Tudo irradia contra,
pedras móveis, a raspa de uma parede.
mas é por um dia.
Convenhamos. Depois de escrito
tudo acontece noutro sopé pleno de barro,
noutro topo, noutro dia.

Um comentário:

Anônimo disse...

Poema cheio de sabedoria.