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Agnès Varda

Assistir nesta noite de sábado o filme “As praias de Agnàs”, autobiografia da Agnès Varda, complementou alguns questionamentos meus sobre a família e as relações entre os indivíduos. Logo no início, a cineasta diz que vai falar dela, mas terá de falar d”os outros, que me instigam, me motivam, me questionam, me apaixonam”. Agnés Varda lembra que desejou fazer um filme feliz, em certo momento da vida. No entanto, mostra-nos que é impossível a constante felicidade. Perdemos objetos, surge a guerra ou a doença grave, falamos ou ouvimos palavras ásperas, que surgem descarregadas de amor. Mas resta a esperança da demência, da senilidade, do esquecimento para encobrir a vergonha, justificar as nossas loucuras. E o esquecimento permite a retomada do amor para voltarmos a acreditar na perene felicidade voltará, que nunca mais será quebrada. Uma pena que estes filmes sejam tão pouco projetados e raramente vistos. Ai! Agnés Varda, às vezes “não falar é uma forma de afeto”, quando alguém se avizinha da morte após definhar com AIDS ou não avolumar o descrédito do amor. No entanto, eu complemento as palavras da cineasta: se não falar é uma prova de afeto, falar é a forma de iniciar ou manter um projeto. Bela a fala final do filme, com a cineasta toda colorida, dançante, junto dos filhos e netos, estes todos de branco, anunciando que “a família é o que se agrupa e se compacta”. Quando o filme estiver nos cinemas, isto é, se ele entrar na programação, poderemos ir juntos.

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