Envolvido com a organização do livro "SAFRA QUEBRADA", que vai englobar poemas de todos meus os livros que já publiquei (ver perfil), e um inédito (Gleba dos excluídos), acabei ficando algum tempo sem compor poemas. Bem ou mal, consegui organizar dois, que deixo aqui:

E se todos decidíssemos pela ausência?
Ficássemos quietos sem nenhum verso
os peixes secos
esquecidos na travessa

Ficássemos com a nádegas mofadas
capim assim torrando
sem que viessem os bafos das bocas
terras férteis sem chuva que as amoleçam

Fôssemos as histórias perdidas
se não vêm quem as ouça
e outro que nunca soube
do encontro que trouxemos tão perto

Estivéssemos onde nenhum herói aparece
nas esquinas onde os homens
não sabem qual será a conversa
Sermos a lua dispersa
o sol que não está mais no universo

Trava que se quebra
e nenhum rosto avança pela fresta
Fôssemos o que ria
entre os olhos que padecem
quando fossem as quedas
dos rubis adversos

Há as chamadas do sol, com as chamas zen.
Há as pontes, o alecrim
que outros inalam, longe.
Há as fugas, as fortes batidas do coração.
Enche-nos a vida quando
não estamos sem.
Inalam em nós, dentro,
nada que foi anjo. Talvez um filho,
um estranho de outras viagens.
Não dar por finda a corda
que se estira até o outro lado.
Não há o limbo, as portas descoradas,
só um território bem
animado pela paz.
Só iremos apanhar
se aproveitarmos a viagem,
as outras ternuras, chegar quem
irá inalar o cheiro de terra
bem nas nossas mãos.

Comentários

Rodrigo f disse…
Como sempre: belos poemas. "Fôssemos as histórias perdidas" ...Adorei!
Salomão.. obrigado pela visita. No momento estou tentando mudar o rumo do Blog... realmente está "non sense".

Estou pensando em fazer algo parecido com o seu... quer dizer, tentar fazer... com muito menos sofisticação. Teu blog me animou a escrever mais... assim como você, das coisas do meu dia a dia, dos livros que leio e filmes que vejo. Bom, se não tivesse visto o "Labirinto do Fauno", correria para ver só pelo seu texto.

Um grande abraço e muito obrigado!
Um dia nos vemos por aí!
MUITO BOM! -TEM COISA NOVA NO PUNCTUM...
Mão Branca disse…
Oi, Salomão.
Parabéns pela publicação.

Gostei do poema sobre a escolha das ausências. Talvez somente notanto a falta (de tudo, amor, profissão, objetivos) reconheçamos alguma presença.
"Sermos a lua dispersa
o sol que não está mais no universo"
Fera.
[]s

Postagens mais visitadas deste blog

Resenha sobre o filme "300"

ULISSES, de Tennyson