São multidões para morrer
e para as urnas faltará madeira
No melhor recorte de pedra
já esculpida a minha cupa
Irei sem exércitos, sem armas
com as culpas que fiz e herdei
Sem água, punhos de marfim, elmos
na cúpula de silêncio
só com meu recorte de pedra
Sem guilhotina, horda de dementes,
engendro grafias para que a sabedoria
não seja só outro grão na areia
No mostruário, confundem-se os ossos
expostos com ostras e oferendas
Desconheço se é de um filho
ou de uma amada ou do inimigo
os ossos que levo por meus
No último dia não virá
a criança que sapateava
em espasmos de alegria
Saltitava sobre o tablado
sobre os entrelaces dos guerreiros
Com os ossos de outros ou meus,
terei de mover a minha cupa,
fazê-la o aríete de arrebentar
os portões da fortaleza
Na cupa não haverá outras inscrições
Na fortaleza já se apagaram os últimos frisos
Somos — eu e os guerreisos,
eu e os ossos de uma amada, e do inimigo —
só os entrelaces na tapeçaria
em que saltita a criança dos pequenos guisos
A poesia é meu território, e a cada dia planto e colho grãos em seus campos. Com a poesia, eu fundo e confundo a realidade. (Linoliogravura do fundo: Beto Nascimento)
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