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Mostrando postagens de Março, 2007

A segunda sessão de cinema

Legenda: Donaldo Mello, João Carlos Taveira, Ronaldo Costa Fernandes, Robson Corrêa de Araújo, Fábio Coutinho, Antônio Miranda e eu (Salomão Sousa)


Neste último sábado de março,
quando o País enfrenta a paralização dos aeroportos,
e as cigarras ainda não cantam,
mas as abelhas ainda fazem mel,
ainda que colhendo agrotóxico em meio néctar,
amigos vieram à minha casa
para mais uma sessão de cinema.
O nosso propósito é o conhecimento
de filmes clássicos e raros,
sem exibição no País
ou há muito tempo fora das salas
dos cinemas da cidade.
Desta feita, assistimos "O Homem de Aran",
de Robert Flaherty, que se insere no rol
dos documentários ensaiados. Flaherty
é pioneiro nesta modalidade de fazer
cinema com "Nanook". Hoje existem
exemplos também bem sucedidos,
tais como "Camelos não choram"
e "ABC África", de Abbas Kiorastami —
um dos cineastas de minha predileção.
"ABC África" pode ser um filme
das próximas sessões
de nossa sala de raridades.
Nos documentários ens…
Praticamente fechada a arte final do meu livro Safra quebrada.
Gosto de textos confesionais que os autores fazem acompanhar os seus livros.
Preparei o meu para vir como posfácio de minha reunião de poesia.
Está aí abaixo, já com alterações propostas por alguns amigos.
Será que está piegas? Irrelevante?
Dê a sua opinião. Pode ser aqui mesmo, como comentário.

Reflexões do autor

Desde que me decidi a apresentar, estimulado pela amizade zelosa do amigo Vassil Oliveira, a produção de mais de três décadas de poesia, de forma revisada, sempre estive consciente de que não tenho o direito de desvirtuar as experiências intuitivas (quase instintivas) que — reconheço — impregnam meus primeiros livros.
Originário de uma região em que as famílias — quase todas constituídas de analfabetos — usavam vocabulário ainda da época do colonizador, com palavras arcaicas num uso fonético arrastado e em frases quebradas e entrecortadas, mas com a mágica da densidade da natureza, demorei muito a criar a consciência da tradição da poesia brasileira para que pudesse nortear rumos para alguma poética pessoal. Só fui ter explicações conscientes para a minha dificuldade para a formulação de longos períodos e descobrir a velhice do meu vocabulário quando, na década de 90, empreguei o termo “fussura”. Não constava dos dicionários brasileiros. Só iria encontrá-lo num velhíssimo dicionário im…
A arte é uma pele que vestimos! E a perdemos todos os dias!!!

O filme A Pele surpreende!!! Roteiro redondíssimo! Homenagem à fotógrafa Diane Argus também redondíssima! A cena da escada descendo do teto em homenagem à Rolleiflex é capciosa!! Prova de que o filme agüenta do início ao fim como uma homenagem à fotografia!!
Não é um filme sobre a loucura. Não compareça ao cinema em busca da loucura, sadomasoquismo — nada disso!!! Mas em busca da compreensão de que é necessária interação com o estranho para que o estranho deixe de existir!!!
Só podia ser com Nicole Kidman, cujo olho já é uma câmera!!!
A Pele!! Filme Inquietante!!
Eu tinha dado por encerrado o meu ciclo de comentários sobre cinema. Mas a temporada é tão rica, e — acima de tudo — cometeria uma injustiça com Clint Eastwood, que já me deu tantas alegrias através de outros filmes (Menina de ouro, As pontes de Madison, Bird, e tantos cowboys), se eu não manifestasse a minha comoção ao assistir as Cartas de Iwo Jima.
Este filme de Clint Eastwood compensa o didatismo de A conquista da honra, que assisti anteriormente um tanto desanimado.
Logo de entrada, fiquei de cara caída. O comandante, que chega para coordenar o efetivo japonês na ilha de Iwo Jima, apesar de durão, sistemático, é capaz de interromper atos de discórdia entre soldados e de lamentar que partiu para a guerra sem limpar o piso da cozinha (o chão da cozinha, dizemos em Goiás). Portanto, Clint Eastwood já indica que o homem não precisa perder a postura "humana" só porque está na guem conflito. E depois ele vai montado o resto... Se o japonês, no cinema de Hollywood, é o inimigo,…
Envolvido com a organização do livro "SAFRA QUEBRADA", que vai englobar poemas de todos meus os livros que já publiquei (ver perfil), e um inédito (Gleba dos excluídos), acabei ficando algum tempo sem compor poemas. Bem ou mal, consegui organizar dois, que deixo aqui:

E se todos decidíssemos pela ausência?
Ficássemos quietos sem nenhum verso
os peixes secos
esquecidos na travessa

Ficássemos com a nádegas mofadas
capim assim torrando
sem que viessem os bafos das bocas
terras férteis sem chuva que as amoleçam

Fôssemos as histórias perdidas
se não vêm quem as ouça
e outro que nunca soube
do encontro que trouxemos tão perto

Estivéssemos onde nenhum herói aparece
nas esquinas onde os homens
não sabem qual será a conversa
Sermos a lua dispersa
o sol que não está mais no universo

Trava que se quebra
e nenhum rosto avança pela fresta
Fôssemos o que ria
entre os olhos que padecem
quando fossem as quedas
dos rubis adversos

Há as chamadas do sol, com as chamas zen. Há as pontes, o alecrim que outros inalam, lo…