novembro 30, 2010

Lídia Arantes Borges

A poeta e artista plástica Lídia Arantes Borges, que visitei em Piracanjuba com o amigo Herondes Cézar, lançou o livro de poemas  Navegando nas Ondas do Tempo. Não pude estar presente ao evento, e ainda não vi o livro.
O amigo Herondes Cézar voltou a Piracanjuba e esteve com a poeta. Ele escolheu os poemas que postamos abaixo. Vida longa aos poetas! E a amizade seja eterna!

AS ROSAS E AS GRAÇAS

Santa Teresinha das Rosas,
Santa Teresinha das Graças,
minha linda santinha
das rosas e das graças!

Primeiro virão as rosas,
depois as graças virão,
cai uma chuva de pétalas
que se espalham pelo chão!

Vou recolher as pétalas,
vou alcançar as graças,
as pétalas guardarei com amor
no meu cofre de latão.

Sempre que me achar sozinha
triste, triste a chorar,
vou lembrar-me da santinha,
terei as graças na mão!

A BANDEIRA DA PAZ

Lá vai o barquinho
com a bandeira branca,
símbolo da paz,
ao sabor dos ventos,
no mar de ondas revoltas,
singrando, singrando...

Ondas sobem,
ondas se quebram
e o barquinho continua
seja dia, seja noite,
rumo ao porto longínquo,
singrando, singrando...

Barquinho sobe,
barquinho desce,
vencendo procelas,
desafiando intempéries
e a bandeira permanece
tremulando, tremulando...

PALAVRAS QUE O VENTO TROUXE

Eu preciso de uma folha
em branco,
eu preciso de um lápis
ou caneta, agora.
É que o vento que passa
assobia
poesia,
palavras soltas
envoltas
em mistérios e
encantamento.

Pego uma folha invisível
e com os dedos da imaginação
tento gravar as letras
antes que se percam
na vastidão.

Ora, se eu tivesse um carvão
fosse aquele que restou
das fogueiras de Santo Antônio
ou São João
que versos tão lindos
eu iria transcrever.

Pena que o carvão
já virou cinzas
que o vento
e o tempo
espalharam pelos confins.

O ouvido bem atento
aos assobios do vento
consegui desvendar
na alma das coisas
o clamor da poesia,
suscitando sentimentos
que permeiam o nosso dia:
sonhos e realidade
na doçura das lembranças
no gosto amaro da saudade.

A VELHA PONTE

Velha ponte de tantos anos
quantas histórias tens para contar?
Muita água rolou sob ti,
cantarolando notícias
de outras paragens.

Com seu apito merencório
o trem passava,
estremecendo tuas bases,
soprando chispas de fogo,
soltando fumaças.

Hoje, és apenas o espectro
de um tempo que foi feliz.
E o trem de ferro?
Encolhido, enferrujado,
aposentado em algum canto,
tristonho por não ter mais
a chama de fogo
que o fazia viver,
por não mais apitar
acelerando corações.
O entra-e-sai dos passageiros,
o burburinho das estações,
o sorriso nos encontros,
as lágrimas nas despedidas.

Só o rio continua o seu percurso
suspirando ainda histórias
de novos amores.
E o ipê amarelo
às margens do rio
todos os anos floresce
em agosto e setembro
jogando flores douradas
sobre a velha ponte
enferrujada.

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