11 de março de 2011

Walt Whitman

CANTO DE MIM MESMO




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O falcão pedrês desce veloz e acusa-me, queixa-se da minha tagarelice e                    
                                                                      /vagabundagem.

Eu também sou indomado e também intraduzível,
Faço soar meu grito selvagem sobre os telhados do mundo.

A última lufada do dia demora um pouco mais por mim,
E, real, joga a minha imagem depois das outras, nas sombras desérticas,
e seduz-me para a bruma e o anoitecer.

Parto como o ar, agito a cabeleira branca ao sol que se vai,
Espalho a minha carne em remoinhos, deixo-a seguir aos pedaços.

Entrego-me ao esterco para crescer da erva que amo,
Se de novo me quiseres, olha-me debaixo da sola das tuas botas.

Dificilmente saberás quem sou e o que penso,
No entanto, serei para ti a boa saúde,
E filtro e fibra para teu sangue.

Se não me encontrares da primeira vez, mantém a coragem,
Se eu não estiver num lugar, procura-me em outro,
Em algum lugar estarei à tua espera.

8 de março de 2011

Autógrafos do blog — Herondes Cezar

Neste carnaval, recebi a visita do amigo Herondes Cezar. Aproveitei para colher seu autógrafo para este série que venho publicando aqui no blog.  É uma de minhas amizades — não duradoura, pois o que é duradouro é temporal — mais atemporais. Daquelas amizades que não precisam de medir de onde vieram ou para onde vão. Amizade soldada dentro da cultura, por isso mesmo civilizada e produtiva. Ele mantém o blog Era uma vez o cinema e publicou um livro que traz o mesmo título do blog, que trata da história do extindo cinema de Piracanjuba (GO), sua terra natal. Participou do movimento cineclubista de Goiânia e se dedica, dadivosamente, à crítica cinematográfica. Por isso uma pergunta sobre a imagem. 

 Foto: acervo do blog

3 de março de 2011

Zanoto

algumas notícias demoram a se propagar. mas também quem está preocupado com a vida e muito menos com a morte de algumas pessoas? as notícias sobre estas pessoas simples, que fazem seu trabalho sem estardalhaço, nem sempre são dadas, e muito menos vão estar preocupados em ocupar seu lugar. muitos morrem e logo outro quer ocupar sua cadeira, apanhar as horas de seu relógio. mas o relógio de alguns ficam ali parados, com as horas a correrem como se nada tivesse acontecido.
por acaso tomei conhecimento que em 21 de janeiro morreu o meu amigo Zanoto, de varginha (mg). periodicamente eu recebia o recorte de sua coluna "Diversos Caminhos". era a colagem de frases, resenhas, poemas de autores das mais diversas escolas, países e gerações. e com  uma característica única: intercalava, de prório punho, complementos à coluna. nunca encontrei outra coluna que trouxesse (ou traga) trechos manuscritos pelo colunista. e dava uma intimidade à coleta do material. todos ali eram tratados como se fossem de sua cozinha.
só me encontrei uma vez com ele. em um encontro de escritores no Círculo das Águas.
sinto-me feliz, Zanoto, ninguém vai ocupar o seu lugar. você é único em todos nossos corações.

18 de fevereiro de 2011

provocações em tom de jazz

Em resposta a uma provocação de um amigo, respondi por email:

Há uns jazzistas que são medianos. E este é o caso de Jamie Cullum, Harry Conick e muitos outros. Há muito eu ouço aqueles músicos que não se preocupam em fazer sonoridades muitos óbvias. Mas estes jazzistas medianos preparam o público para o que virá depois - John Coltrane, Wynton Marsalis, Miles Davis, Charlie Parker, Louis Armstrong. Mas, em arte, música e etcaterva, não há o que ter preconceito, mas deleite. Use e abuse daquilo que lhe agrade. Mas ouça o disco "Ah Um", de Charles Mingus, ou "Take Five", de Dave Brubeck. E verá que há uma suscetibilidade reservada só cabe aos eleitos.

10 de fevereiro de 2011

O everest em que me descubro
partido em cubos,
em pinos de mim mesmo.
Pousa só a áspide do gelo,
só o sopro do cuspe do vazio.
Cansar de estar no alto,
de estar no frio.
Após, em espamarrar,
atravessar um osso,
encobrir uma carne justa.
Esquartejar tuas grândulas
em ofertantes chakras.
Descascar cores, tintas
dos pontos que me encostas,
dos cimos que te elevam.
O meio anda revolto,
cimo que se cansa
de ficar tão longe,
em espasmos contra a secura.
Aguardo o estado
em que estarei exânime.
Nas tonturas que dizes
sou aprendiz de tantras,
de cravos agarrados em sangue.

3 de fevereiro de 2011

Antonio Costa Neto

Antonio Costa Neto — "Bugi" para quem é de Silvânia — é tudo, talvez até um louco. Estudioso da educação, irrequieto, daqueles que tem pressa por uma Brasil lindo, daqueles que não quer partir antes de ver uma sociedade brasileira educada e rica em cultura.  (ver o blog Mudando Paradigmas para informações oficiais sobre sua trajetória profissional  e sobre seus trabalhos).

O que temos mais em comum, além das idéias, é a amizade de nossos pais durante o período de nossa juventude. Eram parceiros de buraco.

E agora descubro que ele é também um pintor experimental, ousado. Fui à exposição que ele apresenta no Ministério da Fazenda. Sem sua permissão, e mal fotografado, deixo aqui os seus "Peixeis em Borbotão" ilustrando a nossa amizade.

Reynaldo Jardim

Faleceu nesta terça-feira (2.2.2011) o poeta Reynaldo Jardim. Não fomos daqueles amigos de carteirinha, mas sempre nos encontrávamos nos eventos culturais e nas paradas de ônibus aqui em Brasília Brasília. É vasta a informação disponível na internet sobre este poeta extaordinário, que continuarei admirando pela eternidade. Eternidade é aquilo que não morre — e aí ficarão a lembrança e a poesia de Reynaldo Jardim.
  
Já escrevi a minha árvore / no papel de puro asfalto.
Já plantei os filhos meus / nas terras di sibressalto.
Já dei à luz as palavras / plantadas no corpo e alma.
E cumprindo meu destino/ restauro com toda calma
o carma que vou levando / lavando bem minha alma
Meu relatório final / que não salva, nem perdoa
à toa na praia e selva / na volúpia da garoa
sangrando mel, faca fria/
bem temperada alegria / na rebelião mais cruel.
A noite desova o dia / a vida faz seu papel

31 de janeiro de 2011

Projeto cinematográfico de Juquinha e Miguel Jorge

Estive em Goiânia neste final de janeiro. Não programei nenhum encontro antecipadamente — deixei que eles surgissem de forma expontânea. Passei quase dois dias com meu amigo Vassil Oliveira — um dos principais jornalistas de política em atuação em Goiás. Depois, almocei com Euler França Belém, que não pode alongar nosso encontro, pois estava envolvido no fechamento de mais uma edição do Jornal Opção.

E, noutro dia, enquanto aguardava o Vassil Oliveira e o Euler Belem, tropecei na troupe do Juquinha e do Miguel Jorge, que estão envolvidos na produção do filme "Os dois mundos de Zé da Fé". Produção-executiva de Juquinha e roteiro de Miguel Jorge, o filme contará só com atores goianos. Eu soube que eles vem se reunindo ali num café do shopping para fechamento do projeto. Fiquei ali no meio dos atores e dos produtores e senti-me integrado à euforia de todos. Por isso não abandono a cultura: a euforia.

Aproveitei para pedir os autógrafos do Miguel Jorge e do Juquinha para a série que venho publicando aqui no blog. Ei-los abaixo. Sucessos na realização do filme — são os desejos deste coração goiano. 

Autógrafos do blog — Miguel de Jorge

Foto: Salomão Sousa
MIGUEL JORGE — romancista, contista, teatrólogo, poeta goiano 

Autógrafos do blog — Juquinha

Foto: Salomão Sousa
Juquinha — apresentador, ator e humorista goiano.

15 de janeiro de 2011

Jaime Gil de Biedma

Enquanto o tempo passa modorrento sobre a minha produção poética e não publico uma resenha que está pronta sobre o livro O punho e a renda, de Edgar Telles Ribeiro (não muito favorável, diga-se de passagem), por falta de espaço em jornal, posto aqui a tradução que fiz de um poema do espanhol Jaime Gil de Biedman, que julgo excepcional pela temática.


AMIZADE ETERNA


Jaime Gil de Biedma

Passam lentos os dias
e muitas vezes estivemos sós.
Mas logo vêm momentos felizes
para fazer amizade.
                          Veja:
somos nós.

Decididamente um destino conduz
as horas, e brotou a companhia.
Chegavam as noites. Por amá-las
nós incendiávamos as palavras,
as palavras que logo abandonamos
para elevarmos mais:
começamos a ser companheiros
que se conhecem
acima da voz e dos gestos.

Agora sim. Podem elevar-se
as palavras gentis
— essas que já não dizem nada —,
flutuar ligeiramente no ar;
pois nos encontramos enlaçados
no mundo, lenhosos,
de história acumulada,
e está plena a companhia que criamos,
frondosa de presenças.
Atrás de cada um
vela a casa, o campo, a distância.

Porém, silêncio.
Quero dizer algo.
Apenas quero dizer que estamos juntos.
Às vezes, ao falar, alguém esquece
seu braço sobre o meu,
e ainda que esteja calado, agradeço,
pois há paz nos corpos e em nós.
Quero dizer como trouxemos
nossas vidas aqui, para contá-las.
Largamente, uns com os outros
no canto falamos, por meses!
que não compreendemos bem, e na lembrança
o júbilo se parece com a tristeza.
Para nós a dor é terna.

Ai o tempo! Tudo já se compreende.

28 de dezembro de 2010

josé carlos peliano

Década de 2011
(Bsb 28/12/10)
dê cada emoção de si
de cada sentimento seu
de cá da roda da vida
década inteira
que a década seja inteira
de cá da roda da vida
de cada sentimento
dê cada emoção de si
a cada, qualquer, como se fosse a você

24 de dezembro de 2010

Luiz Martins da Silva

Amar sem fim
 
 
 
Amar a esmo,
A qualquer ser.
Até a lesma
Sabe lhe lamber.
 
Amar é o Verbo,
Palavra-clave,
Parábola-chave,
Chama do verso.
 
Amor sem limite,
Do grão ao Graal,
Da gota ao mar,
Da flor ao infinito.
 
Onda de encanto,
Formiga no tempo,
Abelha e baleia.
 
Chuva ou vento,
Pólen ou poeira,
Homem ou sereia.

https://www.blogger.com/blog/post/edit/4843398825678420679/452811239808696688

Experiência e preocupação políticas

O tempo ficou curto. Será que ainda dá tempo de firmamos uma consciência sobre a ação política que precisamos? A compreensão da política exi...