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Mostrando postagens de Abril, 2007
Amigos: tudo pronto. E aqui não vale o lema de Marcos Aurélio, pois não posso contar só comigo. A poesia só se realiza com a amizade! O lançamento está todo preparado!!! o livro ganhando o verniz final!!! Em primeira mão: a capa!!!
Gosto destas leituras adiadas por anos e que nos comovem quando acontecem. Há anos vim retardando a leitura das Meditações de Marco Aurélio. Trata-se de um livro de pequenas máximas, que não chegam a ser um sistema fechado de filosofia — quase um livro de auto-ajuda. O livro foi escrito em papiros e passou por diversas mãos até chegar a nós na versão que conhecemos. Algumas edições trazem o título A mim mesmo, e agora a Planeta — edição que tenho nas mãos — optou pelo título de O guia do imperador.
Quantos estão precisando de fazer leitura deste livro!!! Para ganhar serenidade!!!! Para descobrir a fragilidade da vida, a importância de nossa presença da Natureza!!!! Só com a descoberta da fragilidade o homem dá importância a todos os seus atos, e procura aliar todos os seus atos aos atos dos demais!!!!
E me deixa um vazio em alguns verbetes, pois chega a parecer com Schopenhauer. Veja:

"Quão rapidamente, num segundo, desvanecem todas as coisas, os corpos no espaço, e a memória desses…
Acabo de chegar de Silvânia, minha cidade natal, onde estarei lançando o meu livro Safra quebrada, com evento que vem sendo organizado pelo PALAS, que reúne a juventude silvaniense sábia.
Venho do 76º aniversário de Dona Fiinha, minha mãe, que é a personagem principal de meu primeiro livro de poesia (A moenda dos dias). Estavam lá todos os personagens da sagrada família.
Pesquisando na internet se alguma coisa nova surgiu nalguma página sobre a minha obra, encontrei no Jornal Opção (http://www.jornalopcao.com.br/) uma matéria que eu, João Carlos Taveira e Ronaldo Costa Fernandes escrevemos tempos atrás para servir de orientação àqueles que querem entrar no terreno da cultura. Quem quiser conhecer a matéria na íntegra, entrar na página do jornal, procurar o link do Opção cultural, e ela estará lá.
Ainda noutro dia, a Ana Paula Condessa me perguntava sobre a disponibilidade, no Brasil, de obras do poeta Rumi. Eu lhe dizia que há três livros em catálogo deste poeta do sufismo. Motivado por este diálogo, fui atrás de outro exemplar destes títulos, pois, eu tinha só um, de onde tirei um verso para a epígrafe do meu livro Ruínas ao sol.
Encontrei Poemas Místicos, numa bela edição da Attar, preparada por José Jorge de Carvalho. E até encontrei uma nota sobre este livro na página da amiga Ana Ramiro (Folha de Girapemba). Aninha, estou sabendo que o seu livro está correndo o mundo, e ele ainda não passou por minha porta!!!!!!!
Mas o assunto é Rumi. Realmente, sua obra é outra Bíblia pelo esplendor das imagens. Veja este poema, onde fica demonstrada a máquina do mundo, que, sem este ato de irmos sendo moídos, não existe a vida. Nós, pobres poetas modernos, parados diante do nada, não temos mais como colocar o pé dedicado a Deus.

[A água e o pão]

Rumi

Tradução de José Jorge de Carvalho

O cora…
Andar animado de orvalho
sem ventres ao lado
com algas roçando roçando
Talvez o sexo ou a agulha
Viajar perto do abismo

dentro de olhares novos
assim perto da palavra
dentro do desejo dos seios novos
Viajar sem conhecer as distâncias
se haverá as palmas dos encontros
com algo na praia
a roçar a roçar

Viajar sem encontrar
Viajar sem desejo
sem abismo sem calhas
O rosto no espelho
Roçar nas homoplatas
no suor escorregadio
sem ruído roçar na fria prata

Estar do outro lado sem viajar
Para que não se espalhe
a tosca palha sobre as ilhas
que te aguardam
o sangue sobre o cetim
que te aquece
terás de limpar hoje
terás de limpar amanhã
Para que o pavor
não seja a cor do teu quarto
ou a porta que te fecha
terás de te entregar hoje
terás de te entregar amanhã
Para que te protejas
antes que venha a frieza
que enrijece o punho
e não vir a força
e não vir o desfecho
Para que o fogo aqueça
terás de acender hoje
terás de acender amanhã
e ele inventa histórias!
pois nada do que vivemos nunca
terá sangue ou dores
e ele inventa!
pois nada do que vivemos
jamais terá um momento num café
terá um bonde em São Januário
e ele inventa histórias!
pois nada do que vivemos
nunca terá o rápido instante
do ombro de alguém
do rosto nos joelhos
de uma tribo de onde viemos
sem histórias
e ele inventa!
todos com ciúme
a frase de Stevenson
repetida por Borges
e ele inventa histórias!
não havia finais
adoção de alguém da tribo
— nada que se ouça
ou nada que se move

Música para os olhos

Como o samba está associado à dança, nunca fui de ficar decorando/chorando letras de músicas ou de estudar toda a história da música brasileira. Mas, a certa altura de minha vida, estimulado por minha mulher, Cartola e Nelson Cavaquinho entraram para as minhas percepções musicais. E, mais tarde, Zé Keti. A poesia destes compositores se apresentou com encanto cheio de diferenciais. Não é só dor de cotovelo, desencanto, ou narrativa de algo do cotidiano. Há algo metafórico, ainda que o reflexo da letra esteja dentro da realidade do compositor.
Agora o documentário Cartola serviu para reviver momentos importantíssimos da música brasileira associados a estes compositores. Descobri que, mesmo não estudando a música brasileira de uma forma mais sistemática, ela está encravada no meu sangue. Parece que eu sabia aquilo tudo de cor. Que aquilo tudo sempre estava ao meu lado!
Está muito bonita a reconstituição da história em que Cartola viveu, com suas andanças pelo Catete, pelas parcerias e mesm…
É alta noite.
Dei para acordar nestas horas frias,
de olhar seco e sem bulício nas madrugadas
tragadas pelo outono.
Escrevo um pequeno texto para o orkut da Whanne,
que poderei depois transformar em poesia:

e ela inventa histórias!
pois nada do que vivemos nunca
terá sangue ou dores
E ela inventa!
pois nada do que vivemos
jamais terá janelas
terá um bonde em São Januário
e ela innventa
pois nada do que vivemos
nunca terá realidade!!

Apanho o livro de Borges para ler
um pedaço de seus comentários
sobre "A Divina Comédia",
que quero comentar com a Lídia.
E ele lembra que Stevenson,
aquele que escreveu a Ilha do Tesouro,
que virou filme, desenho, e outro desenho
e outro filme, e peça teatral escolar
e conversa de botequim,
e que nunca li,
e Jorge Borges diz que Stenvenson disse que
— Borges antes diz que leu Croce e que não está de acordo
com ele —, mas que Stevenson diz que "o encanto
é uma das qualidades essenciais que o escritor deve ter.
Sem encanto, tudo o mais é inútil." E gosto
do encanto de…
Ainda não assisti o filme "300", que retrata a guerra dos 300 de esparta.
A minha amiga Ana Paula Condessa, garota de garra nova, dos BH,
comenta o filme. Agradecemos a autorização para o seu texto figurar aqui no "safra quebrada".

Resenha sobre o filme "300"

Por Ana Paula Condessa

Todo filme tem seus méritos, seus pontos fortes, mas também tem furos e contradições. O filme 300, já em exibição, surgiu da história em quadrinhos “Os 300 de esparta” - criada e desenvolvida por Frank Miller. É impressionante a grandeza da produção do filme que chega a representação, com muita propriedade, por retratar a batalha que enfrenta o rei Leônidas -,os soldados espartanos, seus aliados contra o exército persa de Xerxes, na Batalha das Termópilas -, desfiladeiro da Grécia. Esparta - é uma sociedade que é toda voltada para a arte da guerra e todos os indivíduos, que dela fazem parte, são instruídos para tal. No filme é passado muito do que era Esparta e seu contexto, algo de muito valor para compreender a essência da Batalha das Termópilas - . A guerra é o meio de vida dos espartanos e, antes mesmo desta grande batalha que ficou para a história e, cujos métodos e estrutura de guerra foram usados por muitos anos em batalhas posteriores, eles moldaram um im…

Outono Cultural

A cidade de Brasília, neste outono, está fervilhando de programas culturais.
Tivemos o lançamento privado, no Café com Letras, do novo livro
do poeta Alexandre Marino.
Teremos Ignácio de Loyola Brandão no T-Bone
(lembro-me de eu e o Wil Prado, em tempos de ditadura,
repecionar o autor de Zero, quando ele veio à cidade
para receber o prêmio do Encontro Naiconal de Escritores,
e ele em dúvvida se comparecia de terno à solenidade).
Nesta terça-feira, 3, no Carpe Diem,
lançamento do romance Cinza da Solidão, de M.M.Haickel
(é o nosso Marco Polo, da divulgação da Thesaurus).
E, na quinta-feira, na Biblioteca Nacional,
o nosso diretor Antonio Miranda promove homenagem
ao poeta Fernando Mendes Viana, com leituras de poemas
do homenageado por Anderson Braga Horta.