Na minha cidade tem gatos
A poesia é meu território, e a cada dia planto e colho grãos em seus campos. Com a poesia, eu fundo e confundo a realidade. (Linoliogravura do fundo: Beto Nascimento)
14 de junho de 2023
Poeminha da Elis
Na minha cidade tem gatos
13 de maio de 2023
O poema da garotinha Lara
Tem pintinho tem bebê tem ponte
Tem cabra tem bebê tem ovo
Tem porco tem madeira tem boi
Tem uma nuvem e tem céu
e a nuvem foi para Floriano
Nota recuperada de minha rede social
Alice nas cidades
7 de março de 2023
5 de março de 2023
Pessoa uma Biografia
2 de março de 2023
Paúis
Este poema (Paúis, de Fernando Pessoa) é como se fosse o modelo do movimento denominado Paulismo, criado em Portugal por Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. A obra completa de Fernando Pessoa pode ser acessada no Acervo do poeta. O poema critica a lama política que afetava Portugal por volta de 1910.
Pauis que roçarem ânsias pela minha alma em ouro...
Dobre longínquo d'Outros Sinos... Empalidece o louro
Trigo na cinza do poente... Corre um frio carnal por minha por minha alma...
Tão sempre a mesma, a Hora!... Balouçar de cimos de palma!...
Silêncio da parte inferior das folhas, outono delgado
D'um canto de vaga ave... Azul esquecidos em estagnado...
Ó que mudo grito de ânsia põe garras na Hora!...
Que pasmo de mim anseia por outra coisa que o que chora?...
Estendo as mãos para Além, mas no estender delas já vejo
Que não é aquilo que quero aquilo que desejo...
Címbalos de imperfeição... Ó tão antiguidade
A hora expulsa de si-Tempo!... Onda de recuo que invade
O meu abandonar-me a mim-próprio até desfalecer
E recordar tanto o eu presente que me sinto esquecer...
Fluido de auréola transparente de Foi, oco de ter-se...
O mistério sabe-me a eu ser outro... Luar sobre o não conter-se...
A sentinela é hirta, a lança que finca no chão
É mais alta que ela... P'ra que é tudo isto... Dia chão...
Trepadeiras de despropósito lambendo de Hora os aléns!
Horizontes fechando os olhos ao espaço em que são elos de erro!
Fanfarras de ópios de silêncios futuros!... Longes trens!...
Portões vistos longe, através das árvores, tão de ferro!...
1 de março de 2023
Victor Sosa
23 de fevereiro de 2023
Rumo aos vulcões mortos
Quando escurece não conseguimos sair
dos aposentos, mesmo que as portas
sejam partidas. Não conseguimos
usar a faca e descascar a maçã madura.
Apagar a luz é como dar um golpe
Quando as estrelas ficam inquietas
e se despregam da vestimenta do céu
passamos a bater as cabeças
Deixamos de visitar o vizinho
que em um choque vai perder as ventas
Larvas roem as nossas mentes
Apagar a luz é como queimar
as latadas de vides que não conhecemos
Tomaremos vinho amargo, com os pés sem rumo
No escuro, destruiremos polpas carnosas,
por cima de nós dançarão ratos e formigas
Encostas nos enterram dentro do quarto
Beatriz, para o escuro não acabar com a festa
oriente alguém para acender o carvão
Se dermos golpes será para colhermos
e em volta das chamas iremos dançar
Há festa porque não fizemos nenhum inimigo
Há festa porque saímos abraçados pelas portas
rumo aos vulcões mortos − as montanhas
21 de fevereiro de 2023
AI WEIWEI
Vivo livre
Vivo para não me aprisionar numa repetição,
metralhadora, porta giratória, links
que um tirano afixa em minha porta
Não nasci para ser banco ou barranco
As minhas razões não podem ser ditas
por outra voz senão pelos acordes de minha garganta
A garganta de um morro não grita senão o eco
de um grito que eu grito com minha postura
O diabo não amassará o meu pão
pois terá de enfrentar outro tridente em minha mão
A rua terá guardado um lado pra mim
e não é a sarjeta onde querem a minha cama
Ninguém vai se sentar em minhas costas
pois nunca me fixarei num parque
Não fico aguardando a água passar enquanto solapam
minha areia e arrancam minhas pedras
Estou vivo como um cabo de aço
a arrastar uma casa em trepidações de um terremoto
Como bananas como bananas
e refuto o que me vem das ameaças dos músculos
Acolho o que concorda que sou dono de minhas palavras,
se tudo que mente atrofia a minha mente
Não repito o que aleluia o que amém
Não adoro um Deus na estrada um Deus na capela
mas o Deus que cresce o pasto e se afasta
para a criança e o cavalo passarem
Destroço o tirano que quer mandar em minha casa,
me impedir de ter meu teto e meu tato, de entender
o que eu quiser entender. Por exemplo
colher uma vara e correr com os vendilhões
e enxotar os mentirões
Eu amo se eu te amo
Eu me amarro se eu me amarro a que me amarro
Eu sou livre se eu me livro
15 de fevereiro de 2023
Diálogo com o hino de Sófocles
Quando respeita as leise os juramentos dos deuses,é digno da pátria; mas é sem pátriao que por orgulho a conduz ao mal:esse não entre em minha casanem comigo tenha um pensamento igual.
Sófocles
Desastre ter de gastar pergaminho
para narrar horrores.
Ainda é prodigioso o homem
após aprender a organizar com habilidade
os artifícios do mal?
constância das velas para enfrentar
as estocadas tempestuosas do Noto,
ufana-se o homem
do impudor de impor destroços.
E, para os traços da charrua, escraviza,
em desperdício dos esforços
dos antepassados para viverem
em urbes pacificadas e livres.
O homem anula com ganância,
traz entorse com mercúrio
para justificar aquilo que mente,
apesar de ter ciência que posiciona
a mira de ceifar a infância
com balas perdidas e fome.
Enfuna maldade na forma de empilhar,
esmigalhar para enriquecer com ouro,
estanho e orçamento a que impõe sigilo.
Debaixo do banco traseiro
carrega dinheiro vivo e fuzil.
Há o palco para o espetáculo de prodígios.
mas se socorre da extorsão,
inocula diabólicas incertezas
com bordões idênticos e furunculosos.
E insere nos mesmos canais,
em todas abas da língua,
as fúrias. Com uma quântica inverossímil
enlouquece as formas de compreender
e de forjar razões.
Quem viu aquele que se ajoelha
e ora em prantos ao deus pneu?
Aquela senhora, que se afastou
envenenada de seu lar, deixou o jardim a secar
com a desventurada ausência.
Ficou o registro fotográfico.
Ao pé de uma escada
onde dois soldados ao alto
desprezam o zelo de seus rogos.
Riem do pedido sôfrego para que arrombem
e desconectem os cabos das urnas.
Sófocles, dois pequenos soldados
para escorraçar os juízes,
pois nas fronteiras não avançam inimigos
e o homem, em sua Pátria,
agora é o farsante de si mesmo.
O general, em seu refúgio, defende a tutela,
pois a democracia não atende
a bonança dos interesses classistas,
certamente de pecúnia farta.
Se estão impressos em artigo
esses não são versos de invenção do escriba,
Merece desterro o que desonra
a sua Pátria, que desfoca os artigos da lei,
o fluir de uma água até uma tribo
e atrofia os pequenos músculos
de crianças irmãs yanomamis.
É festiva a minha casa,
e, para que não a habite a desonra,
não dá acolhida a golpes, a fuzis no forro.
Esforço-me para que um voto
desintoxique-nos das inflamações da loucura
e à auspiciosa liberdade
não venha contradizer o édito.
Oh! Sófocles, livre sopra o Noto
e embaralha as folhas de pergaminho.
Prodígios de napalm, cianureto,
casas nas encostas, o veneno da mentira,
afundada barcaça do que emigra.
Quando deixarão de bater em nossa face
6 de fevereiro de 2023
Carta que acompanhou uma biografia de Sócrates para uma criança sábia
Poemas sobre o luto, por Paula Akkari
3 de fevereiro de 2023
O grito de Elisa Marques para reparação da perda
Me tornei uma criminosa ao me apaixonar.
Antes disso eu era uma garçonete.
Eu não queria ir para Chicago contigo.
você me ama
por causa deste livro.
e eu não sei se
te amo sem ele.
Se fraquejamos, o napalm cai na nossa cabeça.
https://www.blogger.com/blog/post/edit/4843398825678420679/452811239808696688
Folder do lançamento do livro
A poesia não deixa de ser uma fidelidade ao que amamos. Continuo fiel à poesia em A NOITE ESCURA DOS CRISTAIS PERDIDOS, que nasce acolhido...
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