31 de julho de 2009

Estrela Solitária


Realmente me apaixonei pela interpretação da música Bambino, no filme Estrela Solitária, ficção sobre a vida do Garrincha. Até meu pai João Miguel, que não era Wisnik, iria reconhecer que a rima em ar, nesta música, nos paralelismos com ir e á, apresenta um momento de rara beleza, principalmente na interpretação de Elza Soares. Wisnik, é muito mais que vã filosofia. ... seguindo seguir, só mesmo com os universos pós-vãsfilosofias. E a Taís Araújo, só brilho brilhar.

Bambino

Elza Soares

Composição: Ernesto Nazareth E Zé Miguel Wisnik

E se o ferro ferir
E se a dor perfumar
Um pé de manacá
Que eu sei existir
Em algum lugar

E se eu te machucar
Sem querer atingir
E também magoar
O seio mais lindo que há

E se a brisa soprar
E se ventar a favor
E se o fogo pegar
Quem vai se queimar
De gozo e de dor

E se for pra chorar
E se for ou não for
Vou contigo dançar
E sempre te amar amor

E se o mundo cair
E se o céu despencar
Se rolar vendaval
Temporal carnaval
E se as águas correrem
Pro bem e pro mal

Quando o sol ressurgir
Quando o dia raiar
É menino e menina
Bambino, bambina
Pra quem tem que dar
No final do final

E se a noite pedir
E se a chama apagar
E se tudo dormir
O escuro cobrir
Ninguém mais ficar

Se for pra chorar
E uma rosa se abrir
Pirilampo luzir
Brilhar e sumir no ar

Se tudo falir
O mar acabar
E se eu nunca pagar
O quanto pedi
Pra você me dar

E se a sorte sorrir
O infinito deixar
Vou seguindo seguir
E quero teus lábios beijar

30 de julho de 2009

encontrei-me na Livraria Leitura com o poeta Oleg Almeida, bielo-russo há quatro anos em Brasília. conversa para mais de hora e meia sobre culturas e História de nossos países. seu recente livro de poemas pela 7 Letras — Memórias dum hiperbóreo — está aqui elegante ao meu lado, com abonação de Antonio Cicero e Marco Lucchesi. o livro é composto de XV diálogos, vivos sobre a cultura pessoal do autor.
e, em seguida, estive na Biblioteca Nacional de Brasília, para assistir o tributo à poetisa Renata Pallotini. foi vibrante as leituras dramáticas de
Augusto Rodrigues e Heloísa Sousa (talvez minha parente). e André Gomes foi feliz na sua palestra, bem condizente com o calor lírico da poesia da homenageada. pçude abraçar Renata Pallotini, que eu nunca tinha encontrado corporalmente.
Mais detalhes no link da BNB.

27 de julho de 2009

Viajei


Viajei. Vi homens no luxo
Vi crianças no lixo
e no lixo tropecei
Roupas lavadas próximas aos meus passos
e o que encobria úmida
podia ser relva, pedra ou trevo
Nas seis manhãs
as roupas estendidas nas calçadas

Viajei. Vi casais que quase se abraçavam
As sete pontes, algumas de ferro recortado
no estrangeiro
Vi mulheres a sós com os filhos
se sentindo alienígenas
Não pude ver os ausentes companheiros
Não pude ver as freiras recolhidas
e a zabumba a ensaiar o próximo frevo

Viajei. Senti este cheiro de homem
Fezes. Este cheiro ejaculado.
Vestido de passado
comi as minhas sete refeições
bebi os meus sete cálices
Não estive próximo à arma do tiro
Ao morto não levei luto nem mortalha

Viajei. Vi e apalpei
E se acreditei foi pela flor agreste
Foi pelo tremeluzir das luzes sobre as fezes


18 de julho de 2009

Kes


Por sugestão de uma pequena nota na Folha de S. Paulo, assisti ao filme “Kes” (1969), de Ken Loach – um dos belos filmes ingleses, se é que a miséria possa gerar algo belo. Ainda que me assuste, é esta espécie de filme que me cativa – arrancam verdades com a voz mais cruenta. E a violência é tão real na direção de Ken Loach que acreditamos que ela não é fruto da arte, mas da realidade. Creio que aquela mãe não era uma atriz, mas alguém que atravessava uma crise real. Até onde somos capazes de agredir? Até onde as pessoas precisam ser agredidas? Uma vez ouvi uma chefia dizer para sua copeira: você merece sofrer! Quem merece o sofrimento? Quem tem o direito de provocar sofrimento? As nossas frustrações têm de gerar outros sofrimentos? Às vezes agredimos onde devíamos amar. Não terei coragem de rever “Kes”. Vou deixá-lo na minha reserva de obras que vão assinalando alertas sobre as ridicularias humanas. Em umas épocas, mas agressivas; noutras, pior ainda. A leitura da trilogia das Eras.., de Eric Hobsbawm tem me auxiliado ainda mais nesta aprendizagem da violência histórica. Sempre é tempo para aprendizagens, e tão pouco sei. Quem sabe a poesia venha preencher isso tudo daqui a pouco, pois ela, neste momento, está adormecida.

25 de junho de 2009

Podemos estar em silêncio, o cio frio,
no entanto algo fleme, inflama, infuna.
No entanto, algo incomum move.
A poesia, que é incomum.
A fartura do desejo, que é incomum.
A fartura de Whitman,
que é incomum!
Que o Ronaldo Costa Fernandes me corrija,
se erro.
Que o Ronaldo Cagiano me corrija,
se me engano.
Que o Vassil Oliveira me corrija,
se vacilo!

OH! MEU CAPITÃO! MEU CAPITÃO

Walt Whitman
Versão: Salomão Sousa


I.
Oh! Meu capitão! Meu capitão! nossa fatal viagem é finda;
O barco venceu as tormentas, alcançados os prêmios que buscávamos;
O porto está próximo, ouço os sinos, o povo se exulta;
Embora os olhos sigam as firmes quilhas, a embarcação sinistra e audaz:
Mas oh! coração! coração! coração!
Não derrame nem uma mínima gota
No convés onde meu capitão jaz
Estirado frio e morto.

II.
Oh! Capitão! Meu capitão! Levanta e ouça os sinos;
Levanta — por ti a flâmula flana — por ti a corneta trila;
Por ti buquês e grinaldas com fitas — por ti as multidões nas margens;
Por ti eles chamam, se aglomeram, os rostos ansiosos à procura;
Oh! Capitão! querido pai!
Passo embaixo de ti este braço;
No convés é um sonho que jaz,
Onde te estirastes frio e morto.

III.
Meu capitão que não responde, os lábios pálidos e tranquilos;
Meu pai que meu braço não sente, está sem pulso e vontade;
Mas o barco, o barco ileso ancorou, a viagem feita e conclusa;
Da terrível viagem, a vitória do barco, os objetivos alcançados;
Exultem-se, oh! margens! e toquem, oh! sinos!
Mas eu, com passo silente,
Atravesso onde meu capitão jaz
Estirado frio e morto.

10 de junho de 2009

Sutis declarações sobre a poesia de Salomão Sousa

Sua poesia é esse jeito, esse movimento, a funda estocada no coração das emoções.
Sérgio Campos (Nova Friburgo-RJ)

Para começo de conversa, o poema “Safras” é sensacional: é lindo de morrer, enxuto, na palavra exata.
Zila Mamede (Natal-RN)

… gosto desse movimento pendular, oscilando entre o lirismo confessional e o discurso cheio de indignação; justa revolta e amor pela vida, bem dosados e temperados.
Uilcon Pereira (Araraquara-SP)

Caderno de Desapontamentos, muito belo, sensível e pungente —só lamento ter somente agora conhecido a sua poesia, que revela um poeta consciente do poder da palavra, sem o ouropel e a sacralização acadêmicos.
Assis Brasil (Teresina-PI)

...gostei do seu modo de garimpar os territórios quase inacessíveis da metáfora, sobretudo quando aliada aos aspectos da miséria social e do cotidiano nem todas as vezes abordável, poeticamente.
Jorge Tufic (Fortaleza-CE)

Já nem sei se estou conseguindo esplicar-lhe minha emoção em ler seus poemas de Criação de Lodo, suas pérolas, sua baba, sua metáfora, seu borboletear.
Manoel Lobato (Belo Horizonte-MG)

Criação de Lodo é um livro primoroso. Dá a dimensão do talento do autor e também da sua formação enquanto artista. O texto introdutório —ensaio? metapoema— credencia o autor como um autêntico poeta que compreende o valor e as razões do seu ofício na modernidade. Num momento em que a poesia brasileira parece morta, o Salomão Sousa de Criação de Lodo é enfim um dos poucos que parece saber o que faz.
Osvaldo Duarte (Vilhena-RO)

A criatividade que contém seus versos; a beleza de seu estilo; virilidade de suas metáforas; o canto da terra a exalar o cheiro agreste da pureza; todas essa virtudes o tornam único.
Mário Celso Rios (Barbacena-MG)
O alvo insólito se esconde em abril.
A sólida ferrugem nos fuzis.
Os desamparadas informes
de acolher as arestas do esquecimento.
Ou as raízes da névoa quieta
que barram a procura de alguma porta.

Alguma luta se esconde em abril.
Com a lábia livre, com a alegre
esperteza de iludir a frágil fresta.
O vencimento do tardio ódio,
a fraqueza da reza sem milagres.

Há um ventilar de madureza,
de alguém que talvez nem venha
a entrar nalguma névoa,
a pisar nos gozos de alguma nave.
Montado o palanque. A besta imolada.
A gravidez depois fictícia.
Alguém limpa a ferrugem em abril.

@ Salomão Sousa

25 de maio de 2009

Canário na Janela


Muitas abas paralelas
e eu uma delas
Talvez eu fosse o canário
a janela
e tanto não me abro
e tanto não me amarelo

Perdi o Tributo ao Poeta, da Biblioteca Nacional de Brasília, em homenagem à bela poesia de minha amiga Lina Tamega. Imerso no mundo do excesso da comunicação e não tomei conhecimento do evento. Nem email, nem telefonema, nem fofoca de janela, nem sinal digital, nem duas frases nas vastas colunas literárias dos jornais de Brasília. E a poesia da Lina tem mais para dizer do que duas linhas.

Ai! quantos anos terei de viver para terminar a leitura de las Memorias de Ultratumba, do Chateaubriand francês?

Mas não era nada disso que eu queria dizer para vocês. Ou para mim. Ou para ninguém. Num blog a gente nunca sabe a quem diz, a quem fala. Ou a quem cala.

Só queria lembrar o lado humano, dentro de minha descrença diante de uma juventude que perdeu toda possibilidade de lidar com o humanismo.

Assisti o filme Faces, de Cassavetes, de 1968. Há muito um filme não me entristecia tanto. Há quarenta anos, talvez com consciência ou por um condão, Cassavetes teve a mágica de enxergar nossos dias. A desagregação dos valores. O fim do pudor. Só mesmo o canário para amarelar.

Ainda tem mais. Uma citação de Bertrand Russell, tirada de uma citação de Chomsky:

"Aqueles cujas vidas dão frutos para si mesmos, para seus amigos ou para o mundo são inspirados pela esperança e sustentados pela alçegria: eles veem em sua imaginação as coisas que podem vir a ser e o modo como se materializam. Em suas relações privadas, não se angustiam com uma possível perda de afeto e respeito, assim a recompensa chega por si mesma, sem que a procurem. No trabalho, não são assombrados pela inveja dos concorrentes, mas estão, isto sim, preocupados com o que tem de ser feito. Na política, não perdem tempo e paixão defendendo privilégios injustos de sua classe ou nação, mas almejam fazer do mundo um lugar mais feliz, menos cruel, menos cheio de conflitos entre cobiças rivais e mais povoado por seres humanos cujo crescimento não tenha sido tolhido e atrofiado pela opressão."

De quantos Bertrand Russell precisamos? E nesta geração não teremos outro e muito menos jovens para lê-lo!

A única esperança, Chomsky, é de que realmente o que vemos azul hoje possa ser visto verde amanhã.

10 de maio de 2009

Clara Ghimel

O acaso do acaso, caiu-me um disco nas mãos assim a Oriente do oriente. De Clara Ghimel — acredito que baiana. Ela reuniu poemas de portugueses, em arranjos bem percussivos, apesar de muitas guitarras acústicas leves. A voz clara que permite realce aos versos.

Apenas um comentário: ao primeiro verso do poemas "Pirata", de Sophia de Mello Brayner Andrade:

Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos
E o meu desprezo reina sobre o mar.

Não é algo imensamente assustador?
Não sei se é a sabedoria do poeta ou se já é o toque do egocentrismo sobre o homem que antecede o poeta. Assusto-me quando essas sobreposições acontecem. Antes, a força da natureza intimidava e a força do homem existia para dominá-la. Agora, sem força e sem domínio, mas apenas incendido de desprezo, o homem já se julga de posse de tudo — com desprezo.

Clara, parabens!

21 de abril de 2009

A vida é sonho

DEIXO AQUI MINHA PRIMEIRA TENTATIVA de tradução da parte famosíssima da peça de Pedro Calderon de la Barca. Busquei manter a rima e o andamento dos versos. Não quero rivalizar com a tradução de Renata Pallotini (ver edição da Hedra), que modernizou alguns versos e furou umas duas rimas. Acredito que, para melhor compreensão da fala de Segismundo, é necessário sempre citar o fecho da fala anterior de Clotaldo, pois é deste fecho que surge todo o razoamento posterior:

Clotaldo

(...) ainda em sonhos
não se perde em fazer bem.

Segismundo

Certo; então reprimamos
esta fera condição,
esta fúria, esta ambição,
pois talvez ainda sonhamos.
E assim faremos, se estamos
em mundo tão singular
que viver não é mais que sonhar,
e a experiência, risonha,
diz que o homem que vive sonha
aquilo que é até despertar.
Sonha o rei que é rei, e vive
com este engano mandando,
dispondo e governando;
e aquele aplauso, que, breve,
recebe, no vento se escreve
e em cinzas o converte
a morte: desgraça forte!
Existe quem tente reinar
vendo que irá despertar
dentro do sonho da morte!
Sonha o rico em sua riqueza,
que mais zelos lhe oferece;
sonha o pobre que padece
sua miséria e sua pobreza;
sonha o que inicia a destreza;
sonha o que afana e pretende;
sonha o que agrava e ofende;
e no mundo, em conclusão,
todos sonham o que são,
e que é assim ninguém entende.
Eu sonho que estou aqui
destes grilhões carregado
e sonhei que em estado
mais lisonjeiro me vi.
Que é a vida?: um frenesi.
Que é a vida?: uma ilusão,
uma sombra, uma ficção;
e o maior bem é bisonho,
que toda a vida é sonho,
e os sonhos, sonhos são.

20 de abril de 2009

O sempre novo Clint Eastwood! Ah razão cínica

Clint Eastwood declarou que Gran Torino, seu mais recente filme, é sobre a tolerância. Mas é bem mais do que a tolerância, pois envolve questões raciais, de violência com a juventude, da dívida americana com aqueles que foram atingidos por suas invasões. A degringolada da família. Ele vem nos dizer que alguém precisa estar pronto para morrer para ver se a coisa muda. Trata-se de um filme que tem de virar cardápio do debate em sala de aula e nos comícios públicos. Trata-se de um filme que me faz voltar a refletir sobre a importância da realidade na obra de arte. Até onde a obra de arte tem de estar associada ou dissociada da realidade? Clint Eastwood sempre está dentro da realidade, com a sua obra (de grande arte).
Como serve para mim e mais e demais, registro aqui um trecho da obra de Bertrand Russell:

"Aqueles cujas vidas dão frutos para si mesmos, para seus amigos ou para o mundo são inspirados pela esperança e sustentatos pela alegria: eles veem em sua imaginação as coisas que podem vir a ser e o modo como se materalizam. Em suas relações privadas, não se angustiam com uma possível perda de afeto e respeito, preferem dar afeto e respeitar de maneira livre, assim a recompensa chega por si mesma, sem que a procurem. No trabalho, não são assombrados pela inveja dos concorrentes, mas estão, isto sim, preocupados com o que tem de ser feito. Na política, não perdem tempo e paixão defendendo privilégios injustos de sua classe ou nação, mas almejam fazer do mundo um lugar mais feliz, menos cruel, menos cheio de conflitos entre cobiças rivais e mais povoado por seres humanos cujo crescimento não tenha sido tolhido pela opressão."

Ah Boaventura! que diz mais: a "razão cínica" justifica toda artimanha de privilégios.

18 de abril de 2009


Sempre há um clássico que ainda não foi traduzido em nossa língua. Sobretudo aqueles com maiores extensões. Certamente ainda teremos de esperar muito pelas Memórias de Chateubriand, pela biografia de Samuel Johnson, por Boswell, e as próprias biografias de escritores, de Samuel Johnson. Enquanto isso, valho-me das edições espanholas. No ano passado, ou antes, não estou seguro, circulou por aqui Peregrinação, do português Fernão Mendes Pinto.O mercado editorial brasileiro se preocupa demais com obras já consagrados em nossa cultura (caso de Tolstoi, Dostoievski, Kafka etc, se é que grandes escritores são etc), e outros também relevantes não estão nas prateleiras. Nem as Confissões, de Rousseau estão nas prateleiras — e precisam de tradução nova, que correspondam, pois as frases curtas de Rachel de Queiroz, numa linguagem nordestina, não corresponde à elegância do período da obra.
E temos de baixar o preço dos livros! O privilégio das grandes editoras às grandes redes estão matando as pequenas livrarias. E isso é um tiro no pé: as pequenas livrarias ajudam na formação de leitores, pois elas ficam ao lado das casas, no caminho das pessoas, com um amigo no balcão... Quanto mais leitores melhor para todos, inclusive para a qualidade da cidadania.
Não há cidadania em deixar a carreta na entrada de acesso à via.
Mas, enquanto isso, não há cidadania em não contribuir com a divulgação da série de tributos ao poeta, promovidos pela Biblioteca Nacional de Brasília.
A próxima homenagem é dedicada a Ronaldo Costa Fernandes, por Paulo José Cunha, no dia 24 de abril, às 19h. Se os meios de comunicação não tiverem os telefones da Biblioteca, e dos escritores para os contatos, é só me procurar por este blog, e eu passarei com o maior prazer.
Bom feriado a todos nós, com poesia e cidadania.
Já que os blogs têm registrados divergências com o novo romance de Chico Buarque, eu também assim procedo. Chico Buarque tem todo direito de escrever um romance ruim, até memso para não ficar ocioso, manter a vida em operandi. Mas que o romance não funciona, não funciona. Não tem leimotiv, não tem qualidade estilística, e nem mesmo... Basta. Sei que há muito eu não interrompia a leitura de um livro. O leite está derramado.Mas, a música, só se expande.

15 de abril de 2009

Brasigois Felicio

Após receber a nossa tradução de FROST,
o amigo Brasigóis felício fez uma paráfrase
do poema A estrada por trilhar:


Seguir os caminhos do conhecido
é afogar no comido
fingindo ser renovo
aprender o sabido

Seguir a senda estreita
é habitar-se do inaudito
vazio-cheio do Absoluto

Se Deus é um longo intervalo,
não há música sem silêncio

No contentamento de aceitar e celebrar
viajam os que são leves de bagagem
por isto passam e esquecem

Aceitar o agora que nos veio
sem forçá-lo a nos oferecer respostas
pode fazer toda a diferença.

https://www.blogger.com/blog/post/edit/4843398825678420679/452811239808696688

Folder do lançamento do livro

A poesia não deixa de ser uma fidelidade ao que amamos. Continuo fiel à poesia em A NOITE ESCURA DOS CRISTAIS PERDIDOS, que nasce acolhido...