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Mostrando postagens de Outubro, 2006

Jornal da Paraíba, resenha de Astier Basílio

Neste sábado, 28 de outubro, estou muito feliz. Sou padrinho do casamento de Gisele, minha sobrinha, e do Marcelo. Recebi a visita do poeta João Carlos Taveira, e passamos a tarde quase toda em conversas sobre a poesia contemporânea. E, para coroar o dia, saiu uma resenha no Jornal da Paraíba, de autoria do escritor Astier Basílio, sobre o meu livro Ruínas ao sol. Abaxo, a resenha. Uma travessia entre o inusitado e o estranho
. Astier Basílio Há poetas que apostam no pensamento, outros na fragmentação e no desmonte, por sua vez, há aqueles que investem na linguagem. É dessa família que pertence o goiano, radicado em Brasília, Salomão Sousa. Prova disso é seu livro Ruínas ao Sol (7 Letras, 86 págs., 2006). A obra foi a vencedora do Festival de Poesia de Goyaz, deste ano. Na linha encantatória e com apelos eloqüentes aos aspectos visuais e sensitivo feitos através do uso da metáfora, que comparece em sua estrutura visionária, repleta de estranhamentos e de associações pouco usuais, a poes…

Mercado Editorial

Temos de reconhecer: o mercado editorial brasileiro tem progredido! Tanto na oferta e escolha dos títulos, quanto no acabamento editorial.
A Editora Villa Rica (Itatiaia e Garnier) tem retornado ao mercado com seus títulos clássicos, bem como tem incluídos novas traduções ao seu catálogo. Estão lá, em roupagem nova, o Decamerão, do Boccácio; Os sertões, de Euclides da Cunha; Minha Formação, de Joaquim Nabuco; Fernando Pessoa, Machado de Assis, Olavo Bilac, até as poesias completas de Cassimiro de Abreu, e tantos outros. Inclusive as Conversações com Goethe, de Buckhardt. Hoje este livro anda esquecido, mas já fez escola memorialística. E nunca é tarde para lê-lo. A Villa Rica/Itatiaia/Garnier tem a sua forma de tratar o livro, que ele fica parecendo que ainda foi impresso a quente. E como são autores clássicos, as edições acabam ganhando um charme especial. Além de as edições ficarem mais baratas.
Entrou a Alfaguara no mercado, com alguns títulos (e em edições) charmosos. Nova traduçã…

As esculturas vivas de Anish Kapoor

Acredito que é assim o nirvana: estar com o corpo dentro de uma escultura viva de Anish Kapoor. Dentro do nirvana ou da expansão milagrosa do universo. Depois de visitar a exposição deste escultor indiano, naturalizado inglês, fica difícil até a volta à realidade, já que ela não será mais vista e vivida com as mesmas dimensões.

Quem comparecer ao CCBB até o fim do ano para ver as nove esculturas de Anish Kapoor ali em exposição, certamente sairá estupefato. A escultura Ascension, que dá nome à exposição, está num galpão construído especialmente para a sua instalação. Poucos minutos que passarmos ao lado daquele pequeno furacão serão suficientes para descobrimos que nosso corpo — até nosso hálito — interfere no movimento do mundo. E, ao sairmos daquele labirinto, passamos a andar mais cautelosos para não alterar a ordem das coisas à nossa volta.

Anish Kapoor (muitos dados sobre o artista podem ser conferidos em sites da internet) — todos hão de concordar após ver suas obras — desconcerta…

A AMIZADE NÃO ESTÁ SÓ NA VIA APIA

Quando me canso das leituras, sinto retornar aquela gana de andar solitário pela cidade. Quando é tempo de chuva ainda facilita mais. Atrai-me a cor escura que a cidade assume, parecendo que há uma realidade perdida no ar e outra querendo nascer da água.

Como me encontrava desiludido com a leitura de Minha Formação, de Joaquim Nabuco, na tarde desta sexta-feira, fui para o centro de Taguatinga — cidade satélite de Brasília, localidade que foi a minha primeira morada em Brasília.

Apesar de tratar-se de autor de leitura obrigatória de nossa formação cultural, já que contribuiu para a libertação dos escravos —, Joaquim Nabuco não deixa de contribuir para a perpetuação da idéia monárquica, para a perpetuação da idéia da hereditariedade como meio de acesso ao poder, e para a fixação de um espírito liberalizante para a consolidação de uma classe dominante, que é de onde ele veio e sempre ficou. E pior, pode contribuir para o desamor à nacionalidade.

Eu tinha de ir para a rua após ler uma frase…
A vida e a obra de Puchkin, o poeta russo, sempre me atraíram. Por dois motivos: é um poeta que sempre aparece intercalado na história dos demais escritores russos, já que é um dos fundadores da moderna literatura russa. E, depois, as circunstâncias de sua morte. Em duelo com o sedutor de Nathalie, sua mulher (não compensa morrer por uma dama tão bela — olha ela aí no desenho?). Há tempos comprei, e nunca assisti, a ópera Eugêne Oneguin, já que o poema épico de Puchkin só sairá em tradução para o português — pelo menos está previsto — agora em 2006. Dentro dessa curiosidade pela vida do grande poeta, estou lendo O botão de Puchkin, estudo sobre os últimos anos do poeta, visando esclarecer a sua morte, feito pela italiana Serena Vitale. O livro reflete boa pesquisa, bom ordenamento do material, e dá vivacidade aos fatos.
Não resisto. Transcrevo aqui o poema (vejam a ousadia dos versos finais, já que foi escrito numa época de total servilhismo ao csar):

À maneira de Pindemonte

De Alexander…

Entrevista ao ESTADO DE MINAS

Neste sábado, 14-10-2006. circula no caderno Pensar, do jornal Estado de Minas, a entrevista que concedi ao jornalista e escritor Carlos Herculano Lopes, que tive a grata oportunidade de conhecer junto com Ligia Fagundes Teles em encontro de escritores — anos atrás — no circuito das águas. A íntegra da entrevista:

1) Como você vê a evolução de sua poesia desde o primeiro livro, A moenda dos dias (1979), publicado há 25 anos, até hoje, com Ruínas ao Sol (2006)?
Salomão Sousa: Nasci em 1952. Os poetas que nasceram no período em que eram lançados Invenção de Orfeu (52) e Morte e vida severina (65) — livros que sintetizam as experiências dos diversos períodos da poesia brasileira —, terão de se ajustar a novas linguagens, se quiserem participar, de forma renovada, da modernidade poética. Morreram as vertentes da poesia marginal, da poesia processo e do concretismo, além da falsa poesia de protesto praticada na vigência do regime militar. O poeta que insistir nalguma dessas vertentes estará …
12-10-06. Terminei a leitura de Kyoto, e , ato seguido, de Mil Tsuros. Só para contrariar o meu ponto de vista anterior, em Mil Tsuros há algumas sutis mortes, inclusive algumas mortes subentendidas. Quem for ler Mil Tsuros é bom saber que "tsuros" são pássaros feitos em origami. E diz a lenda japonesa que, se forem feitos mil tsuros, em origami, a pessoa será feliz. E, na confecção de mil tsuros, em grupo, é obtida a harmonia. O livro se desenrola como o próprio ato de fazer os mil tsuros, pois as decisões vão sendo adiadas, mas até no adiamento a felicidade é alcançada. Sutilezas e mais sutilezas, como dissemos anteriomente. Moral: cada ato de nossa vida é um tsuro que acabamos de montar. E devemos estar preparados para que ele seja concluído com perfeição.
Mas é bom lembrar que, quem for começar a leitura de Kawabata, deve tomar primeiro A casa das belas adormecidas, que motivou Gabriel Garcia Marquez escrever Memórias de Minha Putas Tristes, seu último livro.
E já estou em…
De forma anônima, quanto a um tópico deste blog, recebi o seguinte questionamento, que considero ótimo, pois eu também me inquieto com a questão:

"O que é mais dificil para um poeta? Decidir finalizar uma poesia? ou se controlar para não se ver envolvido na reformulação dela?"

Não é só o poeta que se vê tentado, a cada leitura, a promover alterações na sua obra. São muitas as obras de ficção que sofreram alterações nas sucessivas edições em vida dos autores. Cite-se Os Sertões e Grande Sertão: Veredas. Veja-se o caso de estudo de Manauel Bandeira ou Ledo Ivo (estou em dúvidas neste momento sobre a autoria do artigo) sobre as alterações que Castro Alves fez no antológico poema Mocidade e Morte. Ainda ontem tomei conhecimento de uma edição definitiva do romance Pedro Páramo, de Ruan Rulfo, pois a família descobriu que, nos últimos anos, era desejo deste grandioso romancista mexicano fazer alterações em uns três ou quatro pequenos pontos desta obra capital do acervo da literatura…
De tanto o Robson insistir, improvisei dois minicontos e postei no desafio literário da Unisinos.
http://www.unisinos.br/desafio_literario/

A santa boa

Quem viajou menos, viajou três dias. Só para ficarem todos juntos com as escrófulas no tanque de água benta.

Rodoviária

A pasteleira e sua pequena filha ajeitam os pastéis em fila.

A MORTE DO CUBANO GUILLERMO CABRERA INFANTE

Lamentei não poder participar do féretro do cubano Guillermo Cabrera Infante, que, às 23h15 de 21 de fevereiro de 2005, no hospital Chelsea and Westminster, faleceu em Londres, onde vivia exilado, vítima de pneumonia, complicada pela diabete, após ter se internado dias antes em razão da fratura do quadril. Sempre que morre um dos meus escritores preferidos, tenho a sensação de que fiquei um pouco menor, assim com menos dias. São poucas as vezes que me sinto assim um pouco mais órfão. A última vez aconteceu com a morte do amigo José Godoy Garcia. Os grandes escritores me protegem da ignorância e da sensaboria da vida.

Nascido em Gibara (Cuba), em 22 de abril de 1929, Cabrera Infante é uma das figuras de maior destaque da intelectualidade latino-americana. Formado em Medicina, que abandonou pela Literatura. Formou-se em seguida em jornalismo e, ao praticá-lo, chegou à sua outra grande paixão – o cinema. Em 1951, fundou a Cinemateca Cubana.

Chegou a estar preso na campa…
Continuo a minha leitura da obra de Yasunari Kawabata, Prêmio Nobel de 1968, que suicidou em 1972. Difícil compreender o suicídio de um escritor que expôs com tanta ternura as sutilezas dos gestos humanos. Estamos nos desabituando a ver na arte a vida enquanto vida. E os japoneses são mestres nestas sutilezas, basta ver os filmes Ozu. Os personagens de Ozu, em seus conflitos internos, não precisam dar tiro, esfaquear. Não me lembro de nenhuma morte nos filmes de Ozu. Os seus personagens são criados para viver.
No discurso de recebimento do Prêmio Nobel, o poeta Salvatore Quasimodo disse que o político quer que os homens saibam morrer corajosamente, enquanto poetas querem que os homens vivam corajosamente. Kyoto, romance de Kawabata, recentemente lançado pela editora Estação Liberdade, é um hino de amor à cidade que dá título ao livro. E um hino de amor à vida, de uma vida vivida corajosamente. Leio cada frase com a emoção à flor da pele. Leio cada livro de Kawabata com o desejo de ele …

Reformulei um poema que está postado abaixo. Será que melhorou?

Estive com convivas nas esquinas
Gafanhotos agarrados às folhas de milho
e homens disputavam decisões do destino
Estive nas estradas de Muquém
aquém de mim viviam os milagres

De Anicuns trago novos bordados
serragem, serradões trago das trilhas
e nas roupas desmanchadas gotas de orvalho
Aprendi novas fisgadas em Aruanã
Trago o brilho das fiadas de peixes
Outros trajetos de nuvens
jeitos de ver a nudez, luzir as louças
Outras descidas aos poços das barras
As caixetas feitas com zelo
pus no bornal em Santa Luzia

Vamos fazer greves nas esquinas
Vamos às barras colher embiras
Sangrei em todas as trilheiras
Volto de Anicuns, de Palmira
das cheias altas, das estivas
De Floripa vêm ripas de gelo
De Palmelo, a loucura nos cabelos
Com desertos da morte eu estive
larvas brancas, esconderijos de sal

Domingo lento

É um domingo branco, que foi lavado pela forte chuva da véspera. Sobre o branco do papel, a visita de uma formiga, destas que crescem sob as cascas da madeira. Quantas vi na infância fugir enquanto a lenha se queimava na fornalha, assustadas, sem rumo, pela perda da moradia.

Ela circula, desce, se perde entre os livros. Da vizinhança, não só as vozes festivas, também chega o batuque de um pandeiro.

Terminou o disco de Andrew Hill, de competência para os arranjos de seus discos jazzísticos e para as perfomances ao piano. A formiga retorna e fica em dúvida quanto ao destino.

Leio Salvatore Quasimodo. Quem não esteve perdido numa ilha? Num livro, numa folha em branco? Já não teve a vontade de partir? Traduzo o poema O Alto Veleiro só porque contém a palavra "limoeiros", pois é minha intenção, num futuro distante, organizar uma antologia só com poemas que tragam as palavras "limões" e "limoeiros". E será dedicado à Mara Puljiz, que vi crescer entre limões. Sã…
Mandei hoje a nota abaixo para os amigos do orkut. Poderia ter acrescentado que foi publicada crônica minha no jornal A VOZ, de Silvânia GO). A crônica é a propósito do aniversário de Silvânia, minha cidade, no último dia 5 de outubro. Nossos abraços afetuosos para o André Leones, que, ne mesma edição do jornal, noticia o lançamento do Ruínas ao Sol e outros parangolés afetuosos (pode ser vista no seguinte endereço: http://canissapiens.blogspot.com/, blog deste novo escritor goiano, de legítima genética silvaniense, recentemente premiado).
O jornal A VOZ pode ser conferido no seguinte endereço: http://www.aprendizadomarista.com.br/jornal_a_voz.htm
A nossa crônica saiu na 46ª edição, que ainda aguarda postagem.

Recebi de Natal (RN) o n° 32 da revista Papangu, com artigo do poeta Lívio Oliveira sobre a nossa obra poética, principalmente sobre o livro Ruínas ao sol. Junto com a revista, o poeta me mandou o seu livro Telha Crua.E, neste domingo, 8, em Goiânia, no Jornal Opção, foi publicada …

Poema novo para os convivas

E se ela viesse a nau dos dias iria ancorar
em ondas de homens em carne viva
Ah! se cumprisse a visita numa noite
estopas, taipas mortas se acenderiam
Muitos mortos aguardam de olhos vivos
E se ela viesse viriam fadas, falas, cavalarias
viriam virtudes que antes se emudeciam
Fazem carnaval os poetas, as madeiras,
as montanhas aprontaram os ouvidos,
os leitos secos dizem que estão limpos
Ah! se ela viesse viriam as chuvas
os mastros das bandeiras, os convivas
Viriam as vozes, viriam as águas-vivas
Não era ela vir com a vivacidade da manhã
Às vezes a rosa é rosa por não vir

Lista com sugestões de leitura preparada junto Alaor Barbosa e Napoleão Valadares

Durante a viagem de volta de Bom Despacho, eu e Napoleão Valadares e Alaor Barbosa elaboramos uma relação de livros que sirvam de formação de leitores entre 10 e 15 anos. Tentamos a elaboração de outras listas, mas o debate da obras de Guimarães Rosa, Bernardo Élis e José Godoy Garcia acabou se sobrepondo aos demais assuntos.

Quanto à lista de livros para a formação do gosto pela leitura, o Alaor deu preferência a quatro livros de Monteiro Lobato: Reinações de Narizinho, Chave do Tamanho, O Saci e A Caçada de Pedrinho.
Os demais livros de nossa lista: Encontro marcado, de Fernando Sabino; O braço direito, de Marcos Rey; A Ateneu, de Raul Pompéia; Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos; O cego de Ipanema, de Paulo Mendes Campos; Ai de ti, Copacabana!, de Rubem Braga; Menino de engenho, de José Lins do Rego; Iracema, de José de Alencar; A hora da estrela, de Clarice Lispector; Uma vida em segredo, de Autran Dourado; Introdução à poesia brasileira, que contém antologia organi…

VIAGEM COM GUIMARÃES ROSA A BOM DESPACHO

Riquíssima a nossa viagem a Bom Despacho, em Minas Gerais, para participar da VI Feira do Livro daquela cidade, a convite do escritor Jacinto Guerra, organizador do evento e construtor do desenvolvimento cultural daquela região. Visitamos o patrimônio histórico-cultural, participamos de debates, de oficina literária, de lançamentos; e, no retorno a Brasília, pude conhecer, em conversa com os escritores Alaor Barbosa e Napoleão Valadares, que são especialista em João Guimarães Rosa, peculiaridades da gênese do romance Grande Sertão: Veredas.

Ficamos instalados no SESC, onde foram realizados todos os eventos da VI Feira do Livro de Bom Despacho e Cidades Vizinhas, exceto a feira do livro e as conversas com escritores na Praça da Matriz. Na abertura do evento, debate sobre as origens históricas da criação do município de Bom Despacho, com destaque para o depoimento de Orlando Ferreira de Freitas, historiador e genealogista, autor do livro Raízes de Bom Despacho. Além da palestra de Alaor …