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Ei, Antônio

Ei, Antônio, tenho medo. 
No topo da escada 
e ninguém oferece a mão,
dobra as alças na cintura.
Enfrentamos a empreitada de meia,
e acabamos amarrados ao toco
depois de armada a tocaia.

Vamos dar o nome de Lourdes
a quem habita alguma rua
de discórdia, onde os carros
expulsam da calçada os transeuntes.
Vamos dar o nome de Noêmia
à prostituta que nos levou
para conhecer a família.
Se alguém lamenta com traição,
se desorganiza o dia aos gritos,
as escolhas caíram em suspeita.

Tenho medo, Antonio. 
Me dá a mão enfeitada de riquezas,
por onde passaste com grandes paisagens,
mares nas janelas, florestas fechadas,
mães abraçadas aos filhos.
Traz-me na mão os lugares 
em que os  homens não apontam
a ameaça da degola. 

Há o clamor de alegria nas ruas
e nas estradas. Enfeites nos cabelos,
retornos em frente à desordem.
Se houver um castelo,
ele está posto em frente à janela.
De madeira, zinco da serra,
frutos da fronteira. Se resta uma carga,
me dá a mão, Antônio, para a viagem.

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