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Preâmbulo homérico


        

Venho do horizonte das aventuras, sereias
a percutir o canto nas fábulas do vento. Venho
das batalhas, aprendiz de ser civil, de ser livre.
Desembarco na linha do tempo,
onde convoco para o chat a filha de Zeus,
frequente nas mãos de Rilke, de Dante,
em Jorge de Lima e sua invenção
já inventada em Quasimodo. Invoco-a
de súbito para a tertúlia dos falidos,
dos inválidos da noite do entendimento.
          Advirto-a. Não são as sereias e seu canto,
mas estampidos, mas nos ouvidos 
os roncos de arranques, de rotações,
arrotos de bêbados e de parceiras bêbadas.
Se ouvires, não é a chuva.
É o sexo público aguado nos capôs.
          Invoco-a para a travessia do portal,
território virtual onde a história
não passa de civilidade extinta,
de perdida textura de terra,
anúncios de desânimo, destroços,
frescuras de nádegas expostas.
Cada qual com a advertência na janela. 
Trago o bornal vazio das efígies dos Césares,
dos Bórgias, dos Aquiles temíveis.
Se faraó da linha do Nilo, se estampa frigia,
sigo retangular, compartilhado
em toques frios na impessoalidade do plasma.
Advirto a esta amada filha das aventuras.
Sou apenas o espartano degolado!
Só o alexandrino encartado numa mensagem
a percutir os ossos na energia perecível.
Inútil para ressoar num cobre de zinabre ancestral,
fútil para afirmar que a vida existe.
Filha imperecível de Zeus, se é o que nos resta,
que o canto se valha dos arrotos,
dos arranques, dos megatons dos grunhidos.

Deusa, puxa o plug se é para a sereia
ausentar o canto da linha de meu tempo.

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